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Brasil é destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 31/10/2026 12:00
Notícias Gerais

Um total de 252 milhões de hectares está em processo de restauração em 149 países, no maior esforço global já documentado para recuperar ecossistemas e proteger a biodiversidade. As iniciativas também contribuíram para a geração de aproximadamente 1 milhão de empregos verdes. Apesar dos avanços, será necessário quadruplicar os investimentos e acelerar as ações para alcançar a meta internacional de restaurar 1 bilhão de hectares até 2030.

Os dados fazem parte do relatório Progresso da Restauração, O Retorno da Natureza, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O documento apresenta uma avaliação abrangente das iniciativas de recuperação ambiental em diferentes regiões do planeta e destaca a importância da restauração para conter a perda de biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas.

No Brasil, 3,4 milhões de hectares estão em processo de recuperação, segundo sistemas de monitoramento e dados de satélite. Entre as iniciativas de destaque está o Pacto Trinacional da Mata Atlântica, que reúne mais de 300 organizações do Brasil, Paraguai e Argentina em ações de recuperação florestal e criação de corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção.

Reconhecido pela ONU como uma das 35 Iniciativas de Referência para a Restauração Mundial, o projeto já contribui para a recuperação de 700 mil hectares de floresta, com a meta de alcançar 1 milhão de hectares até 2030. As ações favorecem o retorno de espécies como a onça-pintada e o mico-leão-de-cara-dourada, reforçando a importância dos corredores ecológicos para a sobrevivência da fauna nativa.

O relatório também destaca o papel dos povos indígenas na conservação ambiental. Embora essas comunidades administrem ou detenham direitos sobre pelo menos 3,9 bilhões de hectares de terras em todo o mundo, apenas Brasil e Iêmen informaram, em seus relatórios nacionais, a existência de áreas em restauração situadas em territórios indígenas. Essas regiões representam uma parcela importante das paisagens ecologicamente preservadas do planeta.

Outro destaque brasileiro é a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, conhecida pela sigla TFFF, que busca financiar a conservação e a restauração de florestas tropicais. Até outubro de 2026, os compromissos financeiros anunciados haviam alcançado US$ 7,8 bilhões, incluindo contribuições recentes dos Países Baixos e do Reino Unido. A meta de capitalização do mecanismo é de US$ 125 bilhões, com o Brasil e a Noruega na copresidência da iniciativa.

Segundo o Pnuma e a FAO, a restauração ambiental pode trazer benefícios que vão além da proteção de espécies. A recuperação de 15% das áreas prioritárias do planeta poderia evitar até 60% das extinções projetadas, além de ampliar a absorção de dióxido de carbono e contribuir para limitar o aquecimento global. Sistemas agroflorestais, que combinam árvores com lavouras ou criação de animais, também podem melhorar a segurança alimentar de aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas.

Para a coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, a recuperação de ambientes degradados está entre as medidas mais eficazes para enfrentar os principais desafios globais. Além de proteger a biodiversidade, essas ações ajudam comunidades a se adaptarem às mudanças climáticas, fortalecem a produção de alimentos e criam oportunidades de trabalho e geração de renda.

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