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Assembleia Geral reitera rejeição a embargo dos Estados Unidos contra Cuba
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 31/10/2026 11:00
Notícias Gerais

A Assembleia Geral das Nações Unidas voltou a condenar o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1960. A resolução foi aprovada na quarta-feira, 28 de outubro, com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Apesar da maioria favorável ao fim das sanções, o resultado representou uma redução do apoio internacional em comparação com a votação do ano anterior, quando o texto recebeu 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções. Todos os países de língua portuguesa apoiaram o fim do embargo.

A votação ocorreu em meio ao agravamento da crise econômica e energética cubana. Segundo autoridades da ilha e representantes das Nações Unidas, as restrições comerciais dificultam o acesso a combustíveis, medicamentos, equipamentos e outros produtos essenciais, ampliando os problemas enfrentados pela população. O coordenador da ONU em Cuba, Francisco Pichon, já havia alertado para os riscos de agravamento da situação humanitária diante do endurecimento das medidas norte-americanas.

A preocupação também alcança o sistema de saúde. De acordo com informações apresentadas por representantes das Nações Unidas em maio, mais de 100 mil procedimentos cirúrgicos haviam sido adiados no país. As autoridades cubanas também relataram dificuldades para manter os programas de vacinação e garantir o fornecimento regular de medicamentos a pacientes com doenças crônicas. A Organização Mundial da Saúde alertou que a escassez de energia compromete o funcionamento dos serviços de saúde.

A Assembleia Geral da ONU debate o embargo desde 1992 e, com a votação deste ano, voltou a pedir seu encerramento pela 34ª vez. O apoio à resolução cresceu ao longo das décadas e chegou a 191 votos favoráveis em 2015, 2016 e 2017, período marcado pela aproximação diplomática entre Havana e Washington durante o governo de Barack Obama. Na votação de 2016, os Estados Unidos e Israel se abstiveram, mas voltaram a votar contra a resolução em outros anos.

O debate de 2026 também foi marcado por um confronto verbal entre o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, e o embaixador norte-americano Mike Waltz. A discussão começou quando o representante cubano interrompeu a manifestação do diplomata dos Estados Unidos para apresentar uma questão de ordem. A presidente da Assembleia Geral suspendeu brevemente a sessão, que foi retomada posteriormente.

Waltz rejeitou a responsabilidade dos Estados Unidos pela crise cubana e atribuiu os problemas econômicos à administração da ilha. O diplomata também contestou a caracterização do embargo como um bloqueio, argumentando que Cuba mantém relações comerciais com diversos países, inclusive com os próprios Estados Unidos. Segundo ele, os recursos do país estariam concentrados nas mãos da elite governante, em detrimento da população.

A resolução apresentada por Cuba reafirmou princípios como a igualdade soberana entre os Estados, a não intervenção nos assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais. O documento também manifestou preocupação com os efeitos extraterritoriais da Lei Helms-Burton, aprovada pelos Estados Unidos em 1996, que amplia determinadas restrições relacionadas a Cuba e pode afetar empresas e cidadãos de outros países.

Embora a resolução tenha expressado novamente a oposição majoritária da comunidade internacional ao embargo, as decisões da Assembleia Geral têm caráter recomendatório e não obrigam os Estados Unidos a suspender as sanções. Assim, mesmo após mais de três décadas de votações sobre o tema, o bloqueio continua sendo um dos principais pontos de conflito entre Washington e Havana.

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