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Jovens com câncer colorretal usam TikTok para alertar sobre sintomas ignorados e diagnóstico tardio
Crescimento dos casos entre adultos abaixo dos 50 anos tem levado pacientes a compartilhar relatos nas redes sociais e acende alerta para sinais muitas vezes subestimado
Publicado em 27/05/2026 15:30
Notícias Gerais

Vídeos de jovens relatando sintomas ignorados por meses antes do diagnóstico de câncer colorretal têm ganhado espaço no TikTok e em outras redes sociais. Entre os relatos mais compartilhados estão mudanças persistentes no funcionamento intestinal, sangramento nas fezes, dores abdominais frequentes, fadiga intensa e perda de peso sem causa aparente. 

A movimentação nas plataformas digitais acompanha uma preocupação crescente da comunidade médica: o aumento da incidência do câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos, faixa etária historicamente considerada de menor risco para a doença. “O aumento do câncer colorretal em adultos jovens é um fenômeno que tem sido observado globalmente e ainda não é completamente explicado, mas sabemos que é multifatorial”, afirma Thais Passarini, oncologista da Oncoclínicas. “Entre os principais fatores, destacam-se mudanças no estilo de vida nas últimas décadas. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e embutidos, açúcar, combinadas com baixa ingestão de fibras, além de sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo de álcool, desempenham papel importante.” 

Segundo a especialista, há ainda evidências crescentes sobre o impacto do microbioma intestinal nesse processo. “Alterações na flora intestinal, influenciadas por dieta inadequada e uso frequente de antibióticos, podem contribuir para inflamação crônica e desenvolvimento do câncer”, explica. 

Estudos internacionais publicados nas revistas científicas The Lancet Oncology e BMJ Oncology vêm apontando crescimento consistente da incidência do câncer colorretal de início precoce em diferentes países. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 53 mil novos casos da doença por ano no triênio 2026-2028.

Doença pode evoluir de forma silenciosa e atrasar diagnóstico em jovens
 

O tumor colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou no reto. O principal tipo da doença é o adenocarcinoma e, em cerca de 90% dos casos, ele surge a partir de pólipos na região que, se não identificados e tratados, podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar malignos. Embora possa evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, o câncer colorretal costuma apresentar sinais que merecem atenção, especialmente quando persistentes. “Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, como constipação, diarreia, afilamento das fezes e ausência da sensação de alívio após a evacuação, além de sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, explica Passarini. 

Segundo a especialista, em pacientes mais jovens, esses sintomas frequentemente acabam sendo atribuídos a condições benignas, o que pode atrasar a investigação adequada e contribuir para o diagnóstico em fases mais avançadas da doença. 

Entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal estão alimentação rica em ultraprocessados e pobre em fibras, consumo excessivo de carnes vermelhas, obesidade, sedentarismo, tabagismo e doenças inflamatórias intestinais. Fatores hereditários também podem estar associados ao desenvolvimento do tumor, embora representem uma parcela menor dos casos.

Redes sociais ampliam conscientização sobre a doença
 

Nas redes sociais, pacientes têm usado a própria experiência para incentivar outras pessoas a procurarem avaliação médica diante de sintomas persistentes. Em muitos casos, os vídeos acumulam milhões de visualizações e funcionam como porta de entrada para discussões sobre prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce. 

Para especialistas, embora as redes sociais exijam atenção em relação à desinformação, os relatos pessoais também podem contribuir para ampliar a conscientização sobre sintomas que ainda são pouco associados ao câncer entre adultos jovens. “Esse aumento consistente tem levado à revisão das recomendações de rastreamento em diversos países. Diversas sociedades internacionais já orientam o início do rastreamento aos 45 anos, refletindo a mudança no perfil epidemiológico”, afirma Thais Passarini. “No Brasil, embora a recomendação oficial ainda seja iniciar aos 50 anos, muitos especialistas já antecipam esse início na prática clínica.” 

Quando identificado precocemente, o câncer colorretal apresenta altas taxas de cura. “Quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer colorretal apresenta taxas de cura superiores a 90%. Nesses casos, o tratamento costuma ser menos agressivo, muitas vezes restrito à cirurgia, com menor necessidade de quimioterapia e menor impacto na qualidade de vida”, destaca a especialista. “A principal mensagem é que o câncer colorretal está cada vez mais frequente em adultos jovens e nenhum sintoma deve ser ignorado. Sangramento nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor abdominal persistente e anemia devem sempre ser investigados”, conclui Thais Passarini.

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