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AGOSTO LILÁS
Acolhimento, escuta e acesso aos direitos fortalecem o enfrentamento da violência contra a mulher
Publicado em 12/08/2026 15:00
Notícias Gerais

Hospital das Clínicas da UFMG/HU Brasil possui atendimento 24h para esses casos

 

Crédito: Divulgação


 

Levou seis meses para que L.G. conseguisse reunir forças para se abrir com alguém sobre a violência que sofreu e procurar ajuda no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, integrante da HU Brasil (HC-UFMG/HU Brasil). A unidade de saúde possui um Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual e em Situação de Vulnerabilidade para esse tipo de assistência. O agressor era um conhecido, em quem confiou ao aceitar uma carona quando voltava do bairro em que trabalhava, após sair para lanchar com alguns amigos.

A história de L.G. está longe de ser um caso isolado no Brasil. Segundo dados da Rede de Observatórios da Segurança, em média, 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência por dia em 2025. Para alertar a população sobre essa realidade e fortalecer o combate à violência contra a mulher, é realizada anualmente a campanha Agosto Lilás. Neste ano, a mobilização coincide com a celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 com o intuito de estabelecer mecanismos para prevenir e coibir a violência de gênero no país.

A violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Em alguns casos, ela pode escalar e culminar em sua expressão mais grave, o feminicídio. No HC-UFMG, mulheres em situação de violência podem buscar ajuda diariamente, 24 horas, no plantão da maternidade da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia. Em 2026, já foram registrados 138 atendimentos. A assistência também é realizada por meio do programa Para Elas, Por Elas, Por Eles, Por Nós, projeto de extensão mantido pela Faculdade de Medicina da UFMG que acontece todas as sextas-feiras.

O primeiro tem como objetivo proporcionar atendimento multiprofissional para vítimas de violência sexual. De acordo com Natália Dantas, ginecologista, obstetra e coordenadora do serviço, esse atendimento é 100% gratuito e funciona em sistema de porta aberta, ou seja, não é necessário encaminhamento, basta comparecer ao plantão da maternidade da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do hospital para receber apoio ginecológico, psicológico, psiquiátrico e da assistência social (setor responsável pela avaliação de risco, orientação legal e articulação com a rede de proteção local).

No entanto, Natália destaca que, nesse tipo de situação, a procura por atendimento deve acontecer o mais rápido possível. “Em até 72 horas conseguimos fazer a profilaxia de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis); em até cinco dias, a profilaxia da gravidez; e, em até dez dias do evento índice, conseguimos fazer a coleta de vestígios. Depois disso, costumamos acompanhar a paciente por pelo menos seis meses, porque muitas delas desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático. Também monitoramos a sorologia nesse período para identificar uma possível transmissão tardia de ISTs”, explica.
 

Além da violência sexual

Já vítimas de outras formas de violência, geralmente são encaminhadas para o programa Para Elas, que conta com atendimento médico e multiprofissional, rodas de conversa e oficinas em territórios periféricos da cidade, voltados ao empoderamento e geração de renda para as mulheres em situação de violência e vulnerabilidade. Marilia Malaguth, médica de família e comunidade e coordenadora do projeto, conta que muitas delas chegam com bastante receio e demoram a se abrir. Algumas têm dificuldade, inclusive, de reconhecer os tipos de violência sofridos.

A médica esclarece que isso acontece devido ao ciclo de violência que elas costumam vivenciar. A primeira fase consiste em um aumento da tensão. Nesse momento, ocorrem ofensas, humilhações e/ou destruição de objetos da casa da vítima. Em seguida, vem a etapa da explosão, na qual surgem as agressões verbais e/ou físicas. Por fim, o agressor se mostra arrependido e dá início a um período de “lua de mel”.

Uma das formas encontradas pelo programa Para Elas para ajudar essas mulheres a romperem com esse ciclo é por meio do que Marilia chama de ação comunicativa, desenvolvida principalmente nas rodas de conversa. “Ao falar, a mulher também se escuta. Quando consegue contar sua história em um ambiente acolhedor e sem julgamentos, ela passa a olhar para essa experiência de outra forma e inicia um processo de elaboração do que viveu”, afirma.

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