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PF identifica ordem de pagamentos a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social
Publicado em 27/09/2026 12:00
Notícias Gerais

A Polícia Federal identificou mensagens em que a lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orienta um operador financeiro a realizar pagamentos a dois integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), comandado pelo ministro Wellington Dias. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.

As mensagens foram encontradas no celular de Roberta durante a análise de dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada no âmbito das investigações. Os diálogos são de 2 de junho de 2023 e envolvem Ulisses Barbosa, identificado pelos investigadores como operador financeiro e auxiliar da lobista.

Segundo a PF, Roberta determinou que Barbosa retirasse R$ 60 mil em dinheiro vivo, que estava guardado em uma sacola em sua residência, e utilizasse o montante para fazer depósitos em diferentes contas bancárias. Entre os destinatários estavam Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta.

Dinheiro em espécie

Nas conversas analisadas pelos investigadores, Barbosa demonstrou preocupação com a movimentação do dinheiro. Ele alertou Roberta sobre os questionamentos que poderiam ser feitos pelas instituições financeiras em razão do valor e sugeriu que a quantia fosse dividida entre diferentes depósitos.

Em outra mensagem, já no banco, o operador relatou que movimentações superiores a determinado valor por CPF poderiam gerar alertas. Roberta, segundo a PF, respondeu orientando que as transferências fossem realizadas.

Os pagamentos foram efetuados naquele mesmo dia. De acordo com as informações divulgadas, uma das contas destinatárias pertencia a Ranniêr Ciríaco; outra, a José Martinho Ferreira de Araújo. Uma terceira conta estaria ligada à mãe da filha de Martinho.

A Polícia Federal agora analisa o conteúdo da quebra de sigilo de Roberta para verificar se houve outros pagamentos a servidores ou pessoas ligadas ao Ministério do Desenvolvimento Social.

Contratos posteriores

Um dos pontos que passou a ser analisado pelos investigadores é a relação temporal entre os pagamentos identificados e contratos posteriormente firmados pelo MDS com uma empresa representada por Roberta.

Pouco mais de seis meses depois dos pagamentos, o ministério firmou contrato de R$ 31,2 milhões com a 3Structure, empresa representada pela lobista. Em abril de 2026, a pasta celebrou um novo contrato com a companhia, no valor de R$ 19,2 milhões.

O MDS afirma que não houve favorecimento na contratação dos serviços de tecnologia e que o contrato foi resultado de pregão eletrônico. A pasta também sustenta que os dois servidores citados nas mensagens não tinham competência para atuar na área relacionada à contratação e, portanto, não participaram do processo licitatório.

A 3Structure, por sua vez, declarou não ter conhecimento dos pagamentos mencionados na investigação e afirmou que seus contratos com o governo federal foram celebrados de acordo com as normas aplicáveis às contratações públicas, passando por análises técnicas e diferentes instâncias de decisão e controle.

Relação com as investigações sobre Lulinha

O caso faz parte de um conjunto mais amplo de apurações envolvendo Roberta Luchsinger. A empresária foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a PF, a consultoria de Roberta prestou serviços para uma empresa ligada a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão pelo trabalho.

Os investigadores também apuram se Roberta teria atuado como intermediária em pagamentos destinados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirmou que o nome de Lulinha aparece em conversas entre Roberta e Cleber Ribas, proprietário da 3Structure, como possível “destinatário de pagamentos e benefícios”. A menção, contudo, integra o conjunto de elementos sob investigação e não equivale, por si só, à comprovação de crime ou de recebimento dos valores.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não tem relação com os pagamentos e questionou a possibilidade de confirmar a autenticidade das conversas. A defesa de Roberta, por sua vez, declarou desconhecer as informações divulgadas e criticou o vazamento de elementos de uma investigação que tramita sob sigilo.

PF apura extensão dos pagamentos

A identificação dos depósitos amplia o foco da investigação sobre a atuação de Roberta Luchsinger e sua relação com integrantes do governo federal. Além de verificar a origem e o destino dos R$ 60 mil, a PF busca identificar se houve outras movimentações semelhantes e se os pagamentos tiveram alguma relação com negócios ou contratos posteriormente firmados com órgãos públicos.

Por enquanto, as informações divulgadas apontam para pagamentos identificados em mensagens e comprovantes bancários, enquanto a eventual relação entre essas transferências e contratos públicos permanece sob investigação.

A CNN informou que procurou Roberta Luchsinger e as defesas dos dois servidores citados nos pagamentos. O espaço permanece aberto para manifestações.

Baseada em informações da CNN

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