Especialista do HC-UFMG destaca a importância do acompanhamento durante a gravidez e das medidas de prevenção contra a doença.
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Uma doença comum no Brasil, porém silenciosa, pode representar um risco durante a gestação. Segundo o Instituto Adolfo Lutz, uma em cada três pessoas no país já teve contato com o Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose. O problema é que, na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas e, quando adquirida durante a gravidez, pode ser transmitida ao feto, resultando em aborto espontâneo ou outras complicações. No Dia da Gestante, comemorado no próximo sábado (15), especialista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado à HU Brasil, reforça a importância do pré-natal e das medidas de prevenção.
A toxoplasmose é uma enfermidade infectocontagiosa transmitida por meio das fezes de felinos, entre eles os gatos, contaminados pelo Toxoplasma gondii. Ao serem eliminados no ambiente, esses excrementos podem levar o parasita aos alimentos e à água. Por essa razão, o ginecologista e obstetra especialista em medicina fetal do HC-UFMG/HU Brasil, Henrique Vitor Leite, a classifica como uma doença higiênico-dietética. “Isso significa que ela é transmitida pela ingestão de carne crua ou malcozida, por frutas e verduras mal-lavadas e água não tratada”, explica.
Prevenção
Diante disso, Henrique destaca que a melhor maneira de prevenir a toxoplasmose é adotar cuidados básicos de higiene, como lavar bem as mãos, principalmente antes das refeições, higienizar frutas e verduras em água corrente e cozinhar bem a carne antes de consumi-la. Ele também alerta para a importância da realização do pré-natal. “O importante é que esse exame seja feito na primeira consulta de pré-natal”, observa.
Em boa parte das vezes, a enfermidade não dá sinais. Quando eles aparecem, se assemelham aos de uma gripe ou resfriado comuns, sendo as principais queixas: febre baixa, dores de cabeça e no corpo, além de inchaço nos gânglios linfáticos.
Possíveis riscos
“Quanto mais precoce a toxoplasmose ocorre na gestação, menor é a incidência de transmissão para o feto, porém, mais grave pode ser o comprometimento. Já quanto mais para o final da gestação, maior é a possibilidade de transmissão, mas, teoricamente, os problemas são menores”, esclarece o ginecologista.
Os possíveis riscos para o bebê incluem restrição do crescimento intrauterino, microcefalia, cegueira decorrente de coriorretinite (processo inflamatório da coroide e da retina), hidrocefalia causada pela dilatação dos ventrículos cerebrais e alterações no fígado e no baço.