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Pedidos de recuperação judicial no agronegócio caem 20,7% no segundo trimestre de 2026
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 27/10/2026 14:00
Notícias Gerais

Levantamento da Serasa Experian aponta 448 solicitações entre abril e junho; Mato Grosso lidera o ranking nacional, enquanto Minas Gerais registra 54 pedidos.

O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 565 solicitações. Os dados são do Indicador Serasa Experian Agro de Recuperações Judiciais, que reúne produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia produtiva do setor.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando foram registrados 474 pedidos, a redução foi de 5,5%. O resultado interrompe a sequência de aumentos observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025.

Apesar da queda, o cenário ainda exige cautela. O endividamento, os custos elevados de produção e a maior seletividade na concessão de crédito continuam entre os principais desafios enfrentados por produtores e empresas do agronegócio.

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a redução pode estar relacionada à entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço das negociações de dívidas com credores.

O executivo ressalta, porém, que será necessário acompanhar os próximos trimestres para verificar se a tendência de queda se mantém. Nesse contexto, planejamento financeiro, preservação do fluxo de caixa e renegociação de dívidas seguem como medidas importantes para a saúde financeira dos negócios rurais.

Mato Grosso lidera os pedidos de recuperação judicial

Mato Grosso concentrou o maior número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio entre abril e junho de 2026. Foram 107 solicitações no estado, o equivalente a 23,9% do total nacional.

Goiás aparece na segunda posição, com 84 pedidos (18,8%), seguido por São Paulo, com 72 (16,1%). Minas Gerais ocupa o quarto lugar, com 54 solicitações, correspondentes a 12,1% do total. O Paraná completa as cinco primeiras posições, com 42 registros (9,4%).

Os números mostram que as dificuldades financeiras continuam presentes em importantes regiões produtoras do país, mesmo diante da redução observada no levantamento nacional.

Produtores rurais pessoas físicas concentram o maior volume

Entre os produtores rurais que atuam como pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, ante 220 no mesmo período do ano anterior. A queda foi de 10,5%.

Apesar da retração, esse grupo apresentou o maior número de solicitações entre os três perfis analisados pela Serasa Experian.

Mato Grosso também liderou nesse segmento, com 49 pedidos, seguido por Goiás, com 46. Minas Gerais registrou 23 solicitações, São Paulo teve 22 e Paraná contabilizou 16.

Na análise por porte, produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos. O grupo pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos vinculados à atividade rural. Entre os proprietários, foram registrados 51 pedidos de grandes produtores, 39 de pequenos e 37 de médios.

Pedidos de empresas rurais recuam 34,2%

A maior redução foi observada entre os produtores rurais constituídos como pessoas jurídicas. Nesse grupo, foram contabilizados 160 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, contra 243 no mesmo período de 2025, uma queda de 34,2%.

O cultivo de soja liderou entre as atividades econômicas desse segmento, com 70 solicitações. Na sequência, aparece a criação de bovinos, com 28 pedidos. Também foram registrados casos relacionados ao cultivo de cana-de-açúcar, com 15 solicitações; café, com 13; e cereais, com 12.

No recorte estadual, Mato Grosso voltou a ocupar a primeira posição, com 54 pedidos de produtores rurais pessoas jurídicas. São Paulo registrou 28, Goiás teve 22, Minas Gerais somou 21 e Paraná contabilizou 15.

Empresas ligadas à cadeia do agro também apresentam queda

As empresas que atuam nos diferentes elos da cadeia do agronegócio registraram 91 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre deste ano, uma redução de 10,8% em relação às 102 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025.

Os serviços de apoio à agropecuária concentraram 26 pedidos. A agroindústria de transformação primária registrou 20, enquanto o comércio atacadista de produtos agropecuários primários contabilizou 18 solicitações. As empresas revendedoras de insumos agropecuários, exceto máquinas, somaram outras dez.

O resultado reforça que a desaceleração foi observada nos três grupos avaliados pelo indicador, embora a intensidade da queda tenha variado entre eles.

Inteligência artificial auxilia na identificação de riscos

Além de acompanhar os processos de recuperação judicial, a Serasa Experian utiliza modelos preditivos baseados em inteligência artificial para identificar sinais de deterioração financeira em produtores e empresas do setor.

Uma das ferramentas é o Agro Score, desenvolvido para avaliar características específicas da atividade rural e auxiliar na análise de risco de crédito. Segundo a empresa, a ferramenta pode identificar sinais de piora financeira com antecedência, contribuindo para decisões de concessão de crédito mais adequadas às particularidades do agronegócio.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de avaliação de riscos sem restringir indiscriminadamente o acesso dos produtores aos recursos necessários para financiar suas atividades.

Cenário ainda exige atenção do setor

Embora a redução dos pedidos de recuperação judicial represente uma mudança em relação aos trimestres anteriores, o resultado não significa, necessariamente, que os problemas financeiros do agronegócio tenham sido superados.

O comportamento dos próximos períodos será importante para avaliar a sustentabilidade dessa tendência, especialmente diante dos custos de produção, do endividamento e das condições de acesso ao crédito.

Para a Serasa Experian, o acompanhamento da saúde financeira, o planejamento do fluxo de caixa e a busca por renegociações são fundamentais para reduzir riscos. A recuperação judicial, nesse cenário, deve permanecer como último recurso para produtores e empresas que enfrentam dificuldades para cumprir suas obrigações.

Fonte: Indicador Serasa Experian Agro de Recuperações Judiciais, com dados referentes ao segundo trimestre de 2026.

Observação editorial: Os números por perfil de solicitante não devem ser somados para calcular o total geral, pois um mesmo processo pode envolver participantes de mais de um grupo.

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