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Quatro a cada 10 crianças brasileiras de até seis anos se afastam de creches, escolas e atividades sociais por falta de saneamento
Publicado em 20/10/2026 13:00
Notícias Gerais

 Como sociedade, almejamos um mundo repleto de crianças e jovens saudáveis. Porém, essa não é uma realidade possível sem saneamento básico. Buscando estudar os impactos do tema na gravidez, primeira infância, segunda infância e adolescência, o Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria EX ANTE, produziu o estudo inédito “Futuro em risco: os impactos da falta de saneamento para grávidas, crianças e adolescentes”.

O estudo aponta o gritante impacto do tema em todas essas fases da vida, levando à riscos de saúde e a um desenvolvimento prejudicado, do ponto de vista físico e cognitivo, o que levará a notas mais baixas em todas as fases escolares e a um potencial de renda menor, que pode, considerando 35 anos de atuação profissional, chegar a uma diferença de mais de R$ 126 mil entre as pessoas que contaram e as que não contaram com saneamento básico.

Chega-se a um diferencial de renda de 46,1% entre dois jovens, um com acesso ao saneamento durante sua infância e adolescência, tanto do presente como no passado, e outro que foi privado do saneamento básico ao longo de sua vida. Esta diferença pode representar, por exemplo, a capacidade de comprar ou não uma casa própria ao longo da vida adulta.

QUAIS SÃO AS DOENÇAS ASSOCIADAS À FALTA DE SANEAMENTO?

Para entender os impactos, precisamos primeiro discutir sobre como a falta de saneamento afeta a saúde. Em locais sem a infraestrutura, a população tende a ter maior incidência das chamadas doenças de veiculação hídricas, como a dengue, cólera, diarreia etc., ou seja, enfermidades causadas por água parada e/ou contaminada. Outras modalidades de doenças que também são mais frequentes em locais sem saneamento básico são as doenças respiratórias, como gripe, COVID etc. e as doenças bucais. Sem água tratada, a higiene é prejudicada, o que leva ao aumento destas enfermidades.

A FALTA DE SANEAMENTO DURANTE A GRAVIDEZ

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, havia 577,7 mil mulheres grávidas no momento da realização das entrevistas. Deste total, 71,4 mil mulheres se afastaram de suas atividades rotineiras em razão de algum tipo de problema de saúde, o que correspondeu a 12,4% da população grávida. Ao elevar a probabilidade de ocorrência de diarreias e de doenças respiratórias, a falta de saneamento eleva o risco de vida de mães e bebês na gestação, com sequelas para os primeiros anos de vida.

A maior parte dos afastamentos (70,3% do total ou 50,2 mil casos) foi causada por problemas ginecológicos e obstétricos. As doenças respiratórias foram a segunda principal causa de afastamento, com 4,5 mil casos ou 6,3% do total. Além disso, houve 1,6 mil casos de doenças de veiculação hídrica, o que representou 2,2% do total de afastamentos. Dessa forma, 8,5% (6.096) dos afastamentos foram causados por doenças que estão diretamente associadas à falta de saneamento básico.

IMPACTOS DE UMA GRAVIDEZ INSEGURA NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA

Os dados do Sistema de Informação de Atenção Básica, base de informações do Programa Saúde da Família do Ministério da Saúde, indicam uma importante relação dos impactos da falta de saneamento na saúde das crianças. Em 2005, quando a cobertura do saneamento era de 36,7% da população, a incidência de diarreias era de 5,5 casos em cada 100 crianças de até 2 anos de idade.

A taxa de incidência de crianças desnutridas era de 3,8 casos em cada 100 crianças de até 2 anos de idade. De 2005 a 2010 houve aumento da cobertura dos serviços e coleta de esgoto, que passou de 36,3% para 43,9% das famílias visitadas, ou seja, houve um incremento de cobertura de 7,6 pontos percentuais. Junto a esse movimento houve uma redução de 1,9 ponto na taxa de incidência de diarreias e de 2,5 pontos na taxa de incidência de desnutrição nas crianças com até dois anos de idade. 

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