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Documentário sobre irmãos Naves é lançado em Araguari
Produção do TJMG foi exibida no Cine Teatro Rex
Publicado em 11/05/2026 11:30
Notícias Gerais

 

 

O Cine Teatro Rex, em Araguari, recebeu, na noite desta quarta-feira (6/5), o lançamento do documentário “Sob o peso da tortura: o caso irmãos Naves” (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)
 

“Eu, em Araguari, na qualidade de presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, reconheço que o Tribunal de Justiça errou nesse caso e peço perdão à família Naves e ao povo de Araguari.”
Essas palavras, proferidas pelo presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, emocionaram o público que compareceu ao Cine Teatro Rex, em Araguari, no Triângulo Mineiro, na noite desta quarta-feira (6/5), para o lançamento do mais recente documentário produzido pelo TJMG: “Sob o peso da tortura: o caso irmãos Naves”.

A produção da Diretoria Executiva de Comunicação (Dircom), com o apoio da Memória do Judiciário Mineiro (Mejud), aborda o caso dos irmãos Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa, ocorrido em Araguari no final da década de 1930, e que é reconhecido como um dos maiores erros do Judiciário brasileiro na esfera do Direito Penal.

A solenidade de lançamento contou com o apoio da Prefeitura de Araguari. Além do presidente Corrêa Junior e do prefeito da cidade, Renato Carvalho, estiveram presentes o superintendente administrativo adjunto e presidente eleito do TJMG para o biênio 2026-2028, desembargador Vicente de Oliveira Silva; o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais eleito, desembargador Raimundo Messias Júnior; o juiz auxiliar da Presidência e coordenador da Dircom, Marcelo Rodrigues Fioravante; e o juiz diretor do Foro da Comarca de Araguari, Pedro Marcos Begatti.

Estiveram presentes ainda a diretora da Seccional da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) e juíza da Comarca de Araguari, Ana Maria Marco Antônio, representando a presidente da Amagis, juíza Rosimere das Graças do Couto; o vice-prefeito de Araguari, Wesley Mendonça; o presidente da Câmara Municipal de Araguari, vereador Giulliano Sousa Rodrigues, conhecido como Giulliano Tibá; magistrados e servidores de comarcas da região; e diversas outras autoridades locais, além de descendentes da família Naves, jornalistas, estudantes de Direito e demais convidados.
 

 

O presidente do TJMG, desembargador Corrêa Junior, ressaltou que o Tribunal de Justiça atua para que fatos como o dos irmãos Naves “jamais se repitam” (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)
 

Erro judiciário
 

O caso dos irmãos Naves ocorreu durante o Estado Novo (1937-1945), ditadura implantada pelo presidente Getúlio Vargas. Acusados de terem matado o primo Benedito Pereira Caetano, os dois irmãos foram submetidos a torturas até confessarem um crime que não cometeram. Anos depois, a inocência deles foi revelada aos olhos de toda a sociedade, de maneira incontestável. “O caso ocorreu em uma época em que os direitos e as garantias individuais não eram resguardados, em que os direitos eram sonegados e esquecidos para que se chegasse ao resultado, o que acabou gerando esse grande erro”, observou o presidente Corrêa Junior.

De acordo com o presidente do TJMG, ao reconhecer e propagar o erro judicial de que foram vítimas os irmãos Naves, o Tribunal de Justiça atua para que fatos como esse jamais se repitam “e para que se tenha, sempre, uma Justiça que atenda aos anseios da sociedade, que são legítimos, mas que atenda, em primeiro lugar, aos direitos e às garantias individuais”.
 

Reconhecimento e reparação
 

O juiz diretor do Foro da Comarca de Araguari, Pedro Marcos Benatti, manifestou sua gratidão ao TJMG por realizar o lançamento da produção audiovisual também na Comarca onde a história se passou: 

 

Para o juiz Pedro Marcos Benatti, a exibição do documentário seria uma forma de o Judiciário reconhecer o erro do passado (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

“Foi aqui que tudo se iniciou, e creio que, hoje, está sendo composto mais um capítulo do caso dos irmãos Naves, talvez o capítulo final, em que nós reconhecemos, por meio da boa ação do Tribunal, neste momento, um erro passado.”
Ele observou que esse erro repercute até hoje entre familiares e mesmo na comunidade local: “A intenção do Tribunal de Justiça de trazer essa apresentação para Araguari e reconhecer o erro traz um pouco de reparação para aqueles erros do passado; a família Naves necessita muito desse reconhecimento.”
Também foi exaltada, pelo juiz Pedro Benatti, a lição de perdão deixada pelos Naves, que não quiseram vingança à época dos acontecimentos, apenas o reconhecimento da inocência deles.
O prefeito de Araguari, Renato Carvalho, destacou que o caso dos irmãos Naves deixa muitos ensinamentos: 

 

O prefeito Renato Carvalho ressaltou que o caso dos irmãos Naves deixa a lição de que fatos precisam sempre ser avaliados antes de se tomar um partido (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)
 

“Nós, como seres humanos, temos, sim, várias possibilidades de errar, mas também temos várias possibilidades de reflexão.”  

Para o chefe do Executivo de Araguari, o documentário dos irmãos Naves ajuda a mostrar para estudantes e operadores do Direito, bem como para a sociedade brasileira, a importância da serenidade e de não sucumbir ao clamor social, diante de casos de grande repercussão.  

Renato Carvalho ressaltou ainda a importância de sempre avaliar os fatos, sem o chamado “viés de confirmação” – quando o cérebro prefere informações que confirmam aquilo em que já acreditamos e ignora ou distorce aquilo que contraria nossas perspectivas.
 

Registro e perdão
 

 

Adair Rosa, neta de Ana Rosa Naves, recebeu homenagem em nome da família (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Durante a sessão, o presidente Corrêa Junior homenageou a família Naves entregando flores a Adair Rosa, neta de Ana Rosa Naves.
Para a produção do documentário, foram entrevistados historiadores, magistrados, descendentes de alguns dos principais personagens do caso e membros da sociedade de Araguari. As filmagens ocorreram na cidade do Triângulo Mineiro e em Belo Horizonte.
A escolha do Cine Teatro Rex para o lançamento do documentário em Araguari não foi aleatória. Nesse local, em 10/6 de 1967, foi lançado, em première, o filme “O Caso dos Irmãos Naves”, do cineasta Luiz Sergio Person.
O filme foi rodado em Araguari, em 1966, e inúmeros moradores da cidade participaram como figurantes e atores. Entre eles, Antônio Romualdo da Silva, na época com 30 anos de idade. Hoje, aos 89, ele foi um dos que reviveram a história dos Naves ao acompanhar o lançamento do documentário do TJMG, ao lado da esposa, Waltede Cunha da Silva, de 83 anos.  

 

O casal Antônio Romualdo da Silva e Waltede Cunha da Silva participou da sessão no Cine Teatro Rex (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)
 

Antônio contou que, no filme de Person, ele era um dos soldados da Delegacia de Araguari. Para ele, a história dos Naves é muito triste, por ser marcada por torturas e injustiça, mas a gravação da obra traz boas lembranças, por sua participação no filme da década de 1960.  

Gerações mais novas também se mostraram interessadas em obter outras informações sobre o caso e compareceram ao evento.  

“Eu achei muito importante, primeiramente, o reconhecimento do erro pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E gostei muito do documentário, porque conhecia apenas partes da história”, contou Gabriel Nunes Morais, aluno do 5º período de Direito da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Ele assistiu ao documentário com colegas da faculdade.  

 

Estudantes de Direito da Uemg prestigiaram o lançamento do documentário sobre os irmãos Naves em Araguari (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)
 

Nilson Rosa, sobrinho de Joaquim e Sebastião Naves, também esteve presente no lançamento e afirmou, emocionado: “Minha avó Ana Rosa e meus tios sofreram demais; situações como as que eles passaram não podem acontecer nunca mais. Mas, hoje, aqui, o Tribunal pediu perdão à família.”

Abaixo, o trailer do documentário:
 

 

 

Novas exibições
 

Na próxima terça-feira (12/5), a produção será exibida no Auditório do Tribunal Pleno do TJMG, no Edifício-Sede (Av. Afonso Pena, nº 4001, bairro Serra), na Capital mineira. Em seguida, será disponibilizada no canal oficial do TJMG no YouTube.

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