Encontros são realizados semanalmente e proporcionam capacitação sobre serviços digitais como Gov.br e Meu INSS
Projeto de Inclusão Digital oferece atividades didáticas semanais em grupo com pacientes e familiares. Crédio: HU-UFJF
Juiz de Fora (MG) – Um projeto desenvolvido pela equipe de Serviço Social do Setor de Nefrologia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), gerido pela HU Brasil, tem buscado aproximar pacientes em hemodiálise das plataformas digitais, promovendo não apenas o acesso facilitado às políticas de assistência social, previdência e saúde disponibilizadas pelo Governo Federal, mas também a capacitação desses usuários para o uso das tecnologias digitais, contribuindo para sua autonomia e inclusão digital. O trabalho faz parte de uma ação de extensão do hospital em parceria com a Faculdade de Serviço Social da UFJF.
O Projeto de Inclusão Digital oferece atividades didáticas semanais em grupo com os participantes, no qual são propostas ações educativas, de ajuda mútua e aprendizado coletivo. Cada encontro aproxima os usuários do funcionamento das plataformas Gov.br e Meu INSS. O plano de instrução foi desenvolvido a partir da própria vivência dos utilizadores com a tecnologia. Desse modo, surgiu a metodologia de “alfabetização digital”, feita para aprendizagem dos conceitos básicos, como é trabalhado na prática e um momento para tirar dúvidas. A equipe também utiliza abordagens em sala de espera e atendimentos individuais, respeitando a dinâmica e a disponibilidade de cada turno da Hemodiálise.
“É importante destacar que não se trata apenas de políticas de assistência social, mas de políticas de seguridade social, que envolvem saúde, previdência e assistência social. O grande desafio identificado foi a necessidade de orientar e tornar mais acessíveis as atuais formas digitais de acesso aos direitos sociais implementadas pelo governo brasileiro”, conta a assistente social da Unidade de Sistema Urinário do HU-UFJF, Luciene Sales.
A ideia do projeto surgiu após entrevistas com 116 pacientes e 34 familiares, quando chamou a atenção o nível de exclusão digital, afirma Luciene. Segundo os dados coletados, foi observada a predominância de pessoas da terceira idade, com ensino fundamental incompleto ou ausência de escolarização formal; 37,4% delas relataram deficiências, como baixa acuidade visual. Já na área da tecnologia, 64,3% afirmaram não ter conta no Gov.br, 23,5% não possuíam acesso a dispositivos eletrônicos e 53% também não apresentavam endereço de e-mail.
Além disso, foram identificadas dificuldades relacionadas à compreensão de termos comuns no ambiente digital, como “app” e “login”, além de recorrentes perdas de senha, compartilhamento indevido de dados pessoais, inclusive informações da conta Gov.br, tornando-se importante a inclusão do tema segurança digital como eixo central do projeto.
Acolhimento que gera autonomia
“O retorno dos pacientes é positivo no sentido de identificar as dificuldades e disponibilizar auxílio. Observa-se que os participantes se sentem inseguros e despreparados para acessar informações e utilizar aplicativos. O projeto é um espaço de escuta e acolhimento das demandas desse usuário”, pontua Luciene.
Franciane Florêncio acompanha seu marido na terapia renal substitutiva e, até então, fazia uso dos aplicativos, mas sempre surgiam dúvidas a respeito de algumas ferramentas. Foi nesse momento que o projeto de inclusão digital a orientou de forma satisfatória. “Eu passei a conhecer alguns serviços do Gov.br através da equipe. Eles foram muito educados e utilizavam palavras claras que ajudavam a entender com muita facilidade”, contou.
Espaço de aprendizagem para os graduandos
O projeto também recebe estudantes da UFJF para o suporte aos pacientes e reforça o papel de atividades práticas de extensão. “Foi a primeira oportunidade para que eu acompanhasse o dia a dia da atuação profissional das assistentes sociais”, conta Davi Santos, que participa do programa de extensão desde que encontrou o anúncio do processo seletivo no site da Faculdade de Serviço Social.
O contato com os pacientes marcou a experiência dele já no primeiro dia. “Ouvi muitos relatos e percebi que teria um contato muito rico com essas pessoas”, relembra. Para se conectar ainda mais com os participantes, ele buscou estudar a fundo os direitos e benefícios que são possíveis de acessar na internet, em um momento que os serviços públicos são cada vez mais informatizados.
Segundo o acadêmico, o maior desafio é a heterogeneidade do público. “Precisamos fazer com que o conteúdo apresentado seja claro para pessoas com diferentes níveis de conhecimento, contato e acesso a essas tecnologias. Temos usuários que sabem acessar plataformas como o Gov.br e o Meu INSS enquanto outros não possuem celular ou internet, por exemplo. Por isso buscamos nos atentar para que, em um projeto sobre inclusão digital, a gente não exclua ninguém de um debate tão importante", conclui.
Como solicitar o suporte
Os pacientes que realizam sessões regulares de hemodiálise e têm interesse em participar do Projeto de Inclusão Digital podem entrar em contato com o número (32) 4009-5332 ou com o Serviço Social do Setor de Nefrologia para agendar um atendimento presencial.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFJF faz parte da Rede HU Brasil desde 2014. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.