O mercado de loteamentos em Minas Gerais encerrou 2025 com sinais consistentes de valorização, especialmente no último trimestre, conforme aponta o Estudo de Mercado de Loteamentos referente ao 4º trimestre de 2025. Elaborado pela Brain Inteligência Estratégica para a Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais (Aelo-MG), em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), o levantamento abrange municípios que concentram 41% da população e 57% do potencial de consumo do estado.
Entre os principais destaques está o crescimento expressivo do Valor Geral de Lançamentos (VGL), que mais que dobrou na comparação anual do quarto trimestre, passando de R$ 464 milhões para R$ 933 milhões, alta de 101%. No acumulado de 2025, o VGL alcançou R$ 3,41 bilhões, o maior volume dos últimos quatro anos. Em relação a 2024, quando o indicador somou R$ 2,30 bilhões, o avanço foi de 47,7%.
O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelos loteamentos fechados, que registraram crescimento de 138,9% no VGL trimestral, passando de R$ 311 milhões para R$ 743 milhões. Já os loteamentos abertos apresentaram aumento de 23,7%, evoluindo de R$ 153 milhões para R$ 190 milhões no mesmo período.
As vendas também apresentaram crescimento no acumulado do ano, com alta de 5,7%, passando de R$ 3,02 bilhões em 2024 para R$ 3,19 bilhões em 2025. Os loteamentos fechados tiveram papel relevante nesse resultado, com expansão de 40,6%, de R$ 1,82 bilhão para R$ 2,56 bilhões. Em contrapartida, os loteamentos abertos registraram retração de 47,3%, o que acende um sinal de atenção em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.
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O presidente da Aelo-MG, Gustavo Amorim, alerta para os riscos dos estoques baixos. Foto: Thais Sheliden
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Segundo o presidente da Aelo-MG, Gustavo Amorim, a combinação entre valorização e redução da oferta ajuda a explicar o cenário atual do mercado. ““Observamos um cenário de valorização consistente, impulsionado pela redução da oferta em determinadas regiões e pela retomada gradual dos lançamentos. Ao mesmo tempo, os dados indicam a necessidade de atenção ao volume de estoque e à dinâmica de aprovação de novos projetos, fatores que influenciam diretamente o equilíbrio do mercado e o acesso à moradia”, afirma Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG.
“A queda nas vendas não reflete falta de interesse do comprador, mas sim a limitação de estoque disponível em várias regiões. Isso está diretamente ligado à dificuldade e à demora na aprovação de novos projetos. Quando há escassez de novos loteamentos, o efeito natural é a pressão sobre os preços. Se não houver maior agilidade nos processos de licenciamento e aprovação, corremos o risco de ver o acesso à moradia ficar ainda mais caro, especialmente nos empreendimentos mais estruturados”, alerta.
Outro indicador relevante diz respeito ao comportamento dos preços. O estudo aponta a manutenção de patamares elevados de ticket médio, com variações conforme região e tipologia. Empreendimentos fechados seguem concentrando os maiores valores, com ticket médio de R$ 426.657, enquanto os loteamentos abertos apresentam média de R$ 172.084.
“O mercado de loteamentos em Minas encerrou 2025 com uma combinação de valorização robusta e retomada de lançamentos no curto prazo, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios relacionados à velocidade de vendas por conta do volume total de oferta. O cenário indica um setor em transição, com fundamentos positivos, mas que exige atenção estratégica por parte dos players para sustentar o crescimento nos próximos períodos”, analisa Gustavo.
Sobre a Aelo-MG
A Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (AELO-MG) atua no fortalecimento e na profissionalização do mercado de loteamentos no estado. Fundada em 2018, a entidade promove boas práticas, incentiva a inovação e fomenta o diálogo entre empresários e o poder público. Representando dezenas de empresas do setor, a AELO-MG oferece suporte técnico, assessoria jurídica e acesso a estudos de mercado, contribuindo para o crescimento sustentável e estruturado do setor imobiliário mineiro.