Quando acontece enchente, deslizamento ou qualquer desastre, muita gente já sabe o que fazer. Mas e os animais?
Esse foi o tema de um debate recente da Defesa Civil Nacional, que reconheceu um problema antigo no Brasil: o atendimento a cães, gatos e outros bichos em situações de emergência ainda é falho e depende, na maioria das vezes, de voluntários.
Na prática, quando a tragédia acontece, quem entra em ação muitas vezes não é o poder público, mas sim protetores independentes, ONGs e voluntários.
Segundo especialistas que participaram do encontro, essa demanda existe há anos, mas nunca foi totalmente organizada pelo Estado. Só depois de grandes tragédias, como as enchentes no Rio Grande do Sul, o problema ganhou mais atenção. Juiz de Fora, Ubá e Mathias Barbosa também sofreram perdas irreparáveis.
Por que isso é um problema real?
Pode parecer detalhe, mas não é.
Muita gente simplesmente se recusa a sair de casa sem o animal de estimação e isso coloca vidas em risco. Há casos em que pessoas voltam para áreas perigosas só para tentar salvar seus bichos.
Além disso, hoje já se fala em “família multiespécie”, ou seja, o animal é parte da família. Ignorar isso dificulta qualquer plano de evacuação.
A ideia do Governo Federal agora é melhorar o planejamento antes que o desastre aconteça.
Entre as principais propostas estão: incluir os animais nos planos de emergência, mapear quantos bichos existem em áreas de risco, treinar equipes para resgate e atendimento e integrar diferentes órgãos públicos.
Especialistas reforçam que não dá mais para improvisar: é preciso prever tudo antes, desde o resgate até abrigo e tratamento.
Já existe lei, mas desafio é fazer funcionar!
Uma nova lei sancionada em 2026 obriga o poder público a cuidar dos animais em desastres e incluir esse atendimento nos planos da Defesa Civil.
Na teoria, parece resolvido. Mas, na prática, o desafio é outro: fazer a regra sair do papel.
Muitos municípios não têm estrutura; falta equipe treinada; o atendimento ainda é desorganizado e a fiscalização é limitada.
Enfim, o risco de continuar como está.
Se nada mudar de verdade, o cenário tende a se repetir. Animais abandonados em tragédias; resgates improvisados; sobrecarga de voluntários e pessoas se colocando em risco para salvar seus pets.
Com o aumento de eventos extremos no Brasil, esse problema pode crescer ainda mais nos próximos anos.
A própria Defesa Civil reconhece: cuidar dos animais não é mais um detalhe, é parte da resposta a desastres.
Mas enquanto faltar estrutura, planejamento e execução, quem vai continuar segurando essa barra são os voluntários.
E, nas tragédias, isso pode fazer toda a diferença entre salvar ou perder vidas, humanas e animais.

