Um novo relatório internacional alerta para o agravamento dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana, com aumento das mortes relacionadas ao calor extremo, expansão de doenças infecciosas e prejuízos econômicos. Divulgado em outubro de 2026, o estudo Lancet Countdown reúne 146 especialistas de 71 instituições internacionais e destaca a urgência de medidas para enfrentar a emergência climática.
Segundo o levantamento, as mortes anuais associadas às altas temperaturas aumentaram cerca de 36% no período posterior ao Acordo de Paris, em comparação com a década anterior. Na América do Sul, os óbitos relacionados às ondas de calor mais que dobraram, enquanto, no Brasil, as mortes associadas ao calor extremo quadruplicaram em relação à década de 1990.
O relatório também aponta consequências econômicas expressivas para o país. A exposição ao estresse térmico pode provocar a perda de 6,7 bilhões de horas de trabalho ao ar livre por ano, afetando principalmente os setores da agricultura e da construção civil. Os prejuízos são estimados em US$ 17,7 bilhões anuais, equivalentes a aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto brasileiro.
Outro fator preocupante é o aumento da poluição atmosférica provocado pelas queimadas na Amazônia e no Pantanal, que agravam problemas respiratórios e pressionam os serviços de saúde. As alterações de temperatura e precipitação também favorecem a expansão do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika.
Em Angola e Moçambique, eventos meteorológicos extremos intensificam a insegurança alimentar e ampliam os riscos de doenças como malária e cólera, além de agravar a desnutrição infantil e sobrecarregar os sistemas de saúde.
Diante desse cenário, os especialistas defendem que a saúde pública ocupe posição central nas negociações climáticas internacionais. O relatório ressalta que, apesar dos avanços em energia limpa e políticas de proteção, os esforços atuais ainda são insuficientes para conter os danos associados à dependência de combustíveis fósseis.
A publicação reforça a necessidade de investimentos em prevenção, sistemas de alerta precoce e políticas de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis. O enfrentamento da crise climática, conclui o estudo, é também uma medida essencial para proteger vidas, reduzir desigualdades e fortalecer os sistemas de saúde.
