No dia 22 de setembro , Dia Mundial sem Carro, cidades brasileiras voltam a discutir alternativas ao automóvel em meio à Semana Nacional de Trânsito, realizada de 18 a 25 de setembro. Neste ano, a campanha nacional mantém o tema “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, com foco em segurança viária e redução de velocidades.
A data também abre espaço para uma questão mais ampla sobre mobilidade: as cidades oferecem transporte público, infraestrutura para caminhar e pedalar e condições concretas para que deixar o carro em casa seja, de fato, uma opção?
Um dos pontos centrais dessa discussão é o transporte coletivo. Em 2026, levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) identificou 143 municípios brasileiros com Tarifa Zero universal e irrestrita. A expansão, porém, perdeu ritmo: desde junho de 2025, 16 cidades aderiram ao modelo, enquanto oito municípios que já haviam implantado a gratuidade voltaram a cobrar passagem. Os dados colocam em debate tanto o custo da tarifa para os passageiros quanto quem deve financiar o transporte público e quais condições permitem sustentar políticas de gratuidade no longo prazo.
Para comentar o assunto a Fundação Rosa Luxemburgo sugere o pesquisador Daniel Santini, mestre e doutorando na FAU-USP e coordenador de projetos de mobilidade urbana, trabalho e tecnologia da Fundação.
Ele analisa a expansão e os recuos da Tarifa Zero, os modelos de financiamento do transporte coletivo e por que reduzir a dependência do automóvel exige políticas públicas que tornem outras formas de deslocamento acessíveis e viáveis no cotidiano.
Santini é autor de Passe Livre: as possibilidades da tarifa zero contra a distopia da uberização e co-organizador de Mobilidade Antirracista.
