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Largada eleitoral põe segurança pública no centro da disputa
Focus mostra passos a serem seguidos pelos candidatos
Publicado em 21/08/2026 13:00
Notícias Gerais

 

Divulgação/TSE

O início oficial da campanha eleitoral, no domingo (16), marcou a arrancada dos candidatos à Presidência da República em busca de votos nas ruas e na internet. Autorizados a pedir votos, os principais presidenciáveis escolheram locais ligados às próprias trajetórias políticas ou considerados estratégicos para a disputa.

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se nenhum candidato à Presidência alcançar mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá no dia 25.

A largada acontece em um cenário de disputa concentrada entre os dois primeiros colocados. Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (17) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 36%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) têm 4% cada. O levantamento ouviu 2.003 eleitores entre 14 e 16 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Lula volta à Vila Euclides

Líder nas pesquisas, Lula iniciou a campanha pela reeleição em seu berço político histórico, o Estádio Municipal 1º de Maio, a Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). O ato reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo a organização do PT.

Em seu discurso, Lula relembrou a trajetória marcada pelas lutas sindicais do Grande ABC durante a ditadura militar e relacionou aquele período à atual defesa da democracia e da soberania nacional. Também apresentou propostas para a expansão das escolas de tempo integral e para o desenvolvimento da indústria brasileira a partir da exploração e do processamento de minerais estratégicos no país.

A segurança pública ocupou parte central da fala. Lula defendeu uma atuação voltada aos chefes e financiadores das organizações criminosas, com bloqueio de contas e apreensão de patrimônio. Também afirmou que, caso a proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública seja aprovada, pretende criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar a atuação da União, dos estados e dos municípios.

Flávio aposta no endurecimento penal

Segundo colocado nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro abriu sua campanha na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, tradicional ponto de mobilização do eleitorado bolsonarista.

O Monitor do Debate Político da USP e do Cebrap, em parceria com a organização More in Common, estimou a presença de 8,9 mil pessoas no momento de maior concentração do ato. A contagem, realizada a partir de imagens aéreas analisadas por inteligência artificial, tem margem de erro de 12%.

Flávio concentrou o discurso em críticas à política econômica e à condução das relações internacionais pelo governo Lula. Na segurança pública, defendeu o endurecimento da legislação penal, a classificação de facções e milícias como organizações terroristas, a redução da maioridade penal e a castração química de condenados por estupro e abuso sexual.

O candidato também procurou vincular sua campanha ao legado político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, citado diversas vezes durante o ato.

Outras candidaturas ocupam espaços regionais

Entre as demais candidaturas, os palanques foram montados em diferentes frentes regionais. Romeu Zema abriu a campanha em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, com uma missa, uma visita ao Mercado Municipal e um encontro com candidatos do Novo ao Legislativo.

Zema apresentou três eixos para a campanha: controle dos gastos públicos, combate à corrupção e enfrentamento às organizações criminosas. O candidato defendeu ainda a construção de um presídio de segurança máxima destinado às lideranças de facções.

Ronaldo Caiado percorreu em carreata seis municípios do Entorno do Distrito Federal, em Goiás. A segurança pública foi o principal tema do lançamento, no qual o candidato apresentou resultados de sua gestão estadual como vitrine para a disputa nacional.

Renan Santos escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para o primeiro ato. Vestindo um colete à prova de balas, concentrou o discurso no combate ao crime organizado e adotou uma retórica de forte teor punitivista. Militantes repetiram durante o evento o lema “prendeu, matou”, associado à campanha do partido Missão.

Pautas trabalhistas

Cientistas políticos ouvidos pela Rádio Brasil de Fato avaliam que, embora a segurança pública tenha dominado a largada da campanha, o campo progressista deve manter os direitos trabalhistas e as transformações no mundo do trabalho entre os temas centrais da disputa.

“Não pode abrir mão de modo algum de falar sobre o seu passado, mostrando que está ao lado dos trabalhadores brasileiros, dos empreendedores brasileiros, ao lado dos pobres. Todavia, não pode abrir mão de falar do futuro, e ele vai falar de futuro, por exemplo, com a questão do fim da escala 6×1. Essa é uma agenda de futuro”, afirmou o cientista político Adriano Oliveira.

A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), concorda e destaca a atual reconfiguração das relações de trabalho.

“A gente fala do fim da escala 6×1, mas a gente também fala desse processo que ficou intitulado na academia como uberização, porque não é só sobre aplicativo de Uber, mas sobre essa nova configuração que a gente tem de vários serviços, como também falar sobre a questão do empreendedorismo”, disse.

Câmara e Senado também entram na disputa

A eleição de outubro não decidirá apenas quem ocupará o Palácio do Planalto. Mais de 155 milhões de eleitores também escolherão os 513 deputados federais e renovarão 54 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços da Casa.

Todos os mandatos da Câmara estarão em disputa. Os deputados federais são eleitos para quatro anos pelo sistema proporcional, no qual as vagas são distribuídas entre partidos e federações de acordo com a votação recebida pelas legendas e por seus candidatos.

No Senado, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação conquistarão mandatos de oito anos. Diferentemente das eleições para presidente e governador, as disputas para a Câmara e o Senado serão concluídas no primeiro turno, em 4 de outubro.

A composição das duas Casas determinará as condições políticas do próximo governo para aprovar leis, definir o Orçamento e promover mudanças na Constituição. Propostas de emenda constitucional precisam do apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados e de 49 dos 81 senadores, em duas votações em cada Casa.

Temas apresentados na largada da campanha, como as mudanças na política de segurança pública e a redução da jornada de trabalho, dependerão diretamente dessa correlação de forças. A disputa de 2026, portanto, definirá não apenas o comando do Executivo, mas também a composição do Congresso responsável por transformar propostas eleitorais em políticas públicas.

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