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Eleições em Minas
Entre candidatos competitivos e os eternos candidatos
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 18/08/2026 14:00
Notícias Gerais

Fotos - Printi da Nexo Jornal

Minas Gerais entra no clima das Eleições 2026 com uma característica que já virou quase uma tradição: a quantidade de candidatos dispostos a tentar uma vaga no poder público é muito maior do que o número de cadeiras disponíveis.

De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, Minas Gerais terá 53 vagas em disputa para a Câmara dos Deputados. É aí que começa uma das maiores curiosidades do processo eleitoral: centenas de nomes estarão nas urnas, mas apenas uma pequena parcela chegará efetivamente ao Congresso. O sistema proporcional faz com que a disputa não seja simplesmente uma corrida individual: os votos também contam para os partidos e federações na distribuição das cadeiras.

E, no meio dessa multidão de candidatos, há uma categoria que não pode ser ignorada: os candidatos eternos.

São figuras que parecem ter feito um pacto de longa duração com a urna eletrônica. Passa eleição, muda o cargo, muda o partido, muda o discurso, mas eles continuam lá. Tentam vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, governador e, se deixarem, até síndico de condomínio. Perdem, voltam. Perdem novamente, voltam outra vez. A votação pode ser pequena, mas a disposição para tentar de novo parece inesgotável.

É quase uma tradição eleitoral brasileira: o candidato que nunca chega lá, mas jamais aceita que chegou a hora de parar.

Nas eleições, o eleitor mineiro também se acostumou a encontrar nomes curiosos, personagens folclóricos e candidaturas que parecem ter saído diretamente de uma conversa de boteco. É nesse universo que aparecem figuras como Plínio Trump, Menina da Bota e tantos outros personagens que transformam a lista de candidatos em um verdadeiro catálogo da criatividade política brasileira.

Não se trata apenas de saber quem tem chances reais de vitória. A eleição também revela um pouco da diversidade — e, às vezes, do lado pitoresco — da política. Há candidatos profissionais, lideranças tradicionais, estreantes, celebridades, militantes, empresários, representantes de categorias e aqueles que parecem disputar eleição mais pela perseverança do que pela expectativa de vitória.

No caso do Senado, a disputa também chama atenção. Em 2026, Minas Gerais escolherá dois senadores, e cada senador eleito terá dois suplentes. A regra permite que partidos e federações apresentem até duas candidaturas ao Senado, cada uma acompanhada de seus respectivos suplentes.

Já a disputa para governador reúne outro tipo de espetáculo eleitoral. O cargo é único: apenas uma chapa será escolhida para comandar o Governo de Minas pelos próximos quatro anos. A eleição pode terminar no primeiro turno ou ir para o segundo, caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos.

No fim das contas, a eleição mineira é uma mistura de política, estratégia, esperança, tradição e, por que não, folclore. Enquanto alguns candidatos entram na disputa com estruturas partidárias robustas e pesquisas favoráveis, outros parecem ter como principal patrimônio eleitoral a própria persistência.

São os eternos candidatos, aqueles que nunca foram eleitos, mas também nunca se dão por vencidos.

E eles estarão novamente na urna.

Talvez com outro partido. Talvez com outro número. Talvez para outro cargo.

Mas, quase certamente, com a mesma esperança de sempre: “desta vez vai.”

E é justamente essa mistura de candidaturas competitivas, desconhecidas, tradicionais e folclóricas que faz de cada eleição brasileira um espetáculo à parte. No dia 4 de outubro, caberá ao eleitor separar, entre tantos nomes e tantas histórias, aqueles que receberão seu voto.

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