Especialista do HC-UFMG/HU Brasil alerta que a doença é silenciosa, tem forte influência genética e pode levar a infarto e AVC quando não é diagnosticada e tratada.
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Belo Horizonte (MG) - Um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como o infarto e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o colesterol alto é um inimigo que não provoca sintomas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima cerca de 400 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano, o equivalente a aproximadamente 46 mortes por hora ou uma morte a cada 90 segundos. Por isso mesmo, o próximo sábado (8), é o Dia Mundial e Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol.
O Hospital das Clínicas da UFMG, integrante da HU Brasil, é centro de referência em cardiologia em Belo Horizonte pelo Sistema Único de Saúde, destacando-se no atendimento de doenças cardiovasculares. O coordenador do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do HC-UFMG/HU Brasil, Luiz Guilherme Passaglia, explica que a chamada dislipidemia é a alteração do metabolismo do colesterol e/ou triglicérides no sangue. “O principal fator de risco é a predisposição genética. Além disso, estilo de vida também influencia, como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e tabagismo. Algumas doenças, como o hipotireoidismo, e determinados medicamentos também podem contribuir para a elevação do colesterol. Ainda assim, na maioria dos casos, a origem é genética”, disse.
O colesterol elevado não provoca sintomas. Se a pessoa não realizar exames de sangue, dificilmente saberá que apresenta colesterol ou triglicerídeos alterados. Em situações raras, podem surgir sinais na pele, como o xantelasma, caracterizado por pequenas placas amareladas, que podem indicar alterações no metabolismo das gorduras.
“Por isso, pessoas com fatores de risco, como diabetes, obesidade, hipertensão arterial ou idade mais avançada, devem realizar exames periódicos para avaliar os níveis de colesterol. Quem possui histórico familiar de colesterol alto ou de infarto precoce também deve ser investigado desde a infância”, alertou o médico.
Tratamento medicamentoso é seguro
As medicações para controle do colesterol são seguras e contam com mais de 30 anos de estudos científicos comprovando sua eficácia e segurança. Elas não causam catarata, câncer ou demência, como muitas informações falsas divulgam.
“Como o colesterol alto é uma doença crônica, quando o medicamento é interrompido, os níveis voltam a subir. Por isso, o tratamento costuma ser contínuo e pode ser necessário por toda a vida, sempre com acompanhamento médico”, explicou coordenador do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do HC-UFMG/HU Brasil, Luiz Guilherme Passaglia.
Mudança no estilo de vida é fundamental
A mudança no estilo de vida é importante para todas as pessoas. Ter uma boa qualidade de sono, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e cultivar hábitos que promovam bem-estar emocional e social são medidas que ajudam a prevenir diversas doenças. Para quem tem colesterol elevado, essas mudanças são indispensáveis.
Nos pacientes que não fumam, não têm diabetes, não apresentam histórico familiar de doenças cardiovasculares e são mais jovens, a mudança no estilo de vida pode ser suficiente para reduzir os níveis de forma segura. “Já quem apresenta colesterol muito elevado ou outros fatores de risco, como hipertensão arterial, necessita de um tratamento mais abrangente. Nesses casos, somente a mudança de hábitos não é suficiente, sendo necessário associar medicamentos”, finalizou o cardiologista.