Mais de 100 moradores atingidos pela tragédia se inscreveram para falar na audiência pública (Crédito: Marcelo Almeida / TJMG)
Uma audiência pública foi realizada, nesta sexta-feira (26/6), na Comarca de Juiz de Fora, na Zona da Mata, para apurar a real situação e as reivindicações de atingidos pelas chuvas de fevereiro deste ano na cidade e na região. A tragédia causou dezenas de mortes e deixou mais de oito mil pessoas desabrigadas.
O debate foi realizado no Salão do Tribunal do Júri do Fórum Benjamim Colucci e promovido pelo Núcleo de Voluntariado (NV) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), pelo Comitê Local de Política de Atenção a Pessoas em Situação de Rua do Poder Judiciário (Comitê PopRuaJud Minas Gerais) e pela Coordenadoria do Voluntariado Transformador e da Política Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade Social Extrema (Covve) do TJMG.
A superintendente do NV/TJMG e do Comitê PopRuaJud Minas Gerais e coordenadora do Covve, desembargadora Maria Luíza de Marilac (centro), comandou os trabalhos da audiência pública em Juiz de Fora (Crédito: Marcelo Almeida / TJMG)
Representantes da sociedade civil, especialistas e autoridades participaram da audiência pública e mais de 100 moradores se inscreveram para apresentar propostas, esclarecer dúvidas e compartilhar informações que vão fundamentar a tomada de novas decisões.
A superintendente do NV/TJMG e do Comitê PopRuaJud Minas Gerais e coordenadora do Covve, desembargadora Maria Luíza de Marilac Alvarenga Araújo, comandou os trabalhos da audiência pública.
Ela ressaltou que “todas as demandas surgidas na audiência e os relatos das vítimas atingidas pelas chuvas serão encaminhados para os órgãos responsáveis em busca de soluções”.
Diálogo com atingidos
Após visitar bairros atingidos pelas chuvas e verificar a situação das vítimas, a juíza da 2ª Unidade Jurisdicional do Juizado Especial da Comarca de Juiz de Fora e integrante do Covve, Flavia de Vasconcellos Araújo, falou sobre a importância do evento:
A juíza Flavia de Vasconcellos Araújo destacou que o evento organizado pelo NV do TJMG permitiu um importante diálogo com os atingidos (Crédito: Marcelo Almeida / TJMG)
“A audiência pública permite, agora, um diálogo importante com os atingidos, especialmente com a população mais carente, que está vulnerável sofrendo as consequências da tragédia e que precisa de ajuda para exercer seus direitos.”
A cidade de Juiz de Fora contou com uma série de benefícios habitacionais e emergenciais para as famílias atingidas, desde a cobertura de despesas imediatas até a aquisição de um novo imóvel.
Sobre a audiência pública, o juiz diretor do Foro da Comarca de Juiz de Fora, Mauro Francisco Pitelli, ressaltou a realização de escutas qualificadas:
“A participação da população e de todos os órgãos, não só do Poder Judiciário, é fundamental para encontrarmos soluções para essa tragédia e evitar outras novas, pois já estamos preocupados com as próximas chuvas.”
O debate foi realizado no Salão do Tribunal do Júri do Fórum Benjamim Colucci (Crédito: Marcelo Almeida / TJMG)
Também participaram da audiência pública representantes de demais órgãos do Sistema de Justiça, como do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJMMG), da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG).
O NV do TJMG já participa do Gabinete de Crise de Resposta ao Desastre de Juiz de Fora desde sua criação em fevereiro de 2026. Ele é formado por órgãos federais, estaduais e municipais para dar agilidade ao socorro, reconstrução e prevenção de novos desastres.
O Núcleo de Voluntariado também trabalha na elaboração de projeto para que o Poder Judiciário possa agir como mediador e facilitador de diálogo entre os entes responsáveis pelas ações necessárias para atender à necessidade das famílias atingidas pelas chuvas.