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ONU alerta que situação em Gaza e na Cisjordânia está se deteriorando
Publicado em 30/04/2026 09:30
Notícias Gerais

O vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos declarou ao Conselho de Segurança, nesta terça-feira, que as tensões que abalaram o Oriente Médio nas últimas semanas “desviaram a atenção da situação nos Territórios Palestinos”.

Khaled Khiari, que acompanha as regiões do Oriente Médio, Europa, Américas e Ásia e Pacífico, disse que longe dos holofotes, a situação em Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, “vem se deteriorando de forma constante”.

Ele ressaltou que a população de Gaza enfrenta ataques israelenses contínuos e mortais, além de condições humanitárias “calamitosas”.

Já na Cisjordânia, a violência, o deslocamento forçado e a aceleração da atividade de assentamentos ameaçam comunidades inteiras e minam ainda mais as perspectivas de um processo político capaz de resolver o conflito.

O alto representante da ONU explicou que, em Gaza, “o cessar-fogo mostra-se cada vez mais frágil”, à medida que prosseguem os ataques israelenses e as atividades armadas do Hamas e de outros grupos.

Negociações sobre desarmamento do Hamas

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 800 palestinos, incluindo mais de 200 crianças e sete trabalhadores humanitários, foram mortos em ataques israelenses.

As Forças de Defesa de Israel declararam que seus ataques tiveram como alvo militantes e instalações do Hamas.

Khiari disse que apesar de múltiplos esforços diplomáticos, as negociações sobre o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados não resultaram, até o momento, em qualquer acordo, suscitando preocupações quanto a um possível retorno a violência generalizada.

De acordo com dados mais recentes, cerca de 1,8 milhão de pessoas, quase toda a população de Gaza, estão deslocadas e vivendo em acampamentos, dependendo de ajuda em meio ao fogo cruzado, infraestrutura devastada e riscos crescentes à saúde.

Roedores e pragas

Khiari declarou que os planos devem ser acelerados com urgência, não apenas para a ajuda humanitária, mas também para a recuperação e reconstrução.

A diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, afirmou estar “profundamente preocupada” com o que os profissionais de saúde e humanitários estão relatando nos locais de deslocamento em Gaza.

Uma avaliação rápida realizada em mais de 1,6 mil locais constatou que 80% apresentam presença frequente e visível de roedores e pragas, afetando 1,45 milhão de pessoas.

Mais de 80% relataram infecções cutâneas, incluindo sarna, piolhos e percevejos, com mais de 70 mil casos registrados este ano.

Malye, uma mulher palestina, senta-se numa oficina na Cidade de Gaza, rodeada por sacos de farinha branca, sorrindo enquanto os transforma em novos sacos e estruturas de sombra através de um programa de dinheiro por trabalho do PMA.

A representante da OMS afirmou que “esta é, infelizmente, a consequência previsível de um ambiente de vida em colapso”.

As famílias vivem em tendas superlotadas e abrigos improvisados, cercadas por lixo e escombros, com acesso limitado a água potável e serviços de saneamento.

Ela fez um apelo pela entrada de suprimentos laboratoriais em Gaza, pela remoção dos escombros e pela restauração dos sistemas de água e saneamento.

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