A inadimplência voltou a subir em Minas Gerais no início de 2026. De acordo com levantamento da Serasa referente a fevereiro, 46,27% da população adulta mineira está inadimplente, índice superior aos 46,04% registrados em dezembro de 2025, o que representa um aumento de 0,23 ponto percentual no período.
O percentual permanece próximo da média nacional, que atualmente é de 49,87%, mas o avanço indica que o estado acompanha o movimento de pressão sobre o orçamento das famílias observado em todo o país.
No cenário nacional, o Brasil soma 81,7 milhões de inadimplentes, alta de 0,51% em relação a janeiro. O número total de dívidas chegou a 332,1 milhões, crescimento de 1,52%, enquanto o valor médio devido por pessoa atingiu R$ 6.598,13, avanço de 2,24%. O estoque total das dívidas no país alcançou R$ 539 bilhões, aumento de 2,76% no mês.
Os dados mostram que, além do crescimento no número de pessoas negativadas, há aumento no volume financeiro das dívidas, ampliando o comprometimento da renda familiar.
Crescimento reforça alerta no estado
Para a presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Minas Gerais, Lusciméia Reis, o cenário exige análise estrutural e planejamento de longo prazo. “Minas Gerais possui uma economia fortemente ligada à mineração, setor relevante para arrecadação e geração de empregos. No entanto, a dependência dessa atividade nos torna vulneráveis às oscilações do mercado internacional. Precisamos avançar na diversificação econômica e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis”, afirma.
Ela também destaca fatores comportamentais que impactam o endividamento. “Observamos crescimento dos chamados joguinhos de azar e das fraudes cibernéticas, além da liberação de crédito sem educação financeira adequada. Isso cria um ciclo de inadimplência que atinge trabalhadores, famílias e empresas.”
Crédito caro e falta de planejamento
Em Minas Gerais, assim como no restante do país, a inadimplência está associada principalmente ao uso recorrente de crédito com juros elevados, como cartão de crédito rotativo, parcelamentos longos e empréstimos contratados para complementar despesas correntes.
Segundo Reinaldo Domingos, presidente nacional da entidade, a reversão exige estratégia. “A inadimplência é construída ao longo do tempo por decisões sem planejamento. Quando a pessoa entende sua realidade financeira, organiza suas dívidas e define prioridades, consegue interromper o ciclo do endividamento.”
Caminhos para sair dessa situação
O primeiro passo é mapear todas as dívidas, identificando valores, prazos e taxas de juros. Esse diagnóstico permite priorizar débitos com maior custo financeiro. Registrar despesas e revisar hábitos de consumo ajuda a criar espaço no orçamento para renegociação. A negociação com credores deve respeitar a capacidade real de pagamento, evitando novos atrasos.
Além disso, a formação gradual de uma reserva financeira reduz a dependência de crédito emergencial e fortalece a estabilidade no médio e longo prazo. Com 46,27% da população adulta inadimplente e crescimento recente no indicador, Minas Gerais enfrenta um desafio que exige organização financeira, educação e planejamento contínuo para evitar a ampliação do endividamento das famílias.
