Em entrevista exclusiva à ONU News para marcar o Dia Mundial da Vida Selvagem, a bióloga da conservação e etnobotânica Danna J. Leaman, enfatizou a relevância de proteger plantas silvestres usadas na medicina tradicional e moderna.
Leaman, ex-co-presidente do Grupo de Especialistas em Plantas Medicinais da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza, Iucn, ressaltou que milhões de pessoas em todo o mundo dependem de plantas medicinais para saúde e subsistência.
Uma fila de frascos de vidro com tampas de madeira contendo várias ervas secas, exibidos na Cúpula de Medicina Tradicional na Índia, organizada pela OMS.
Ela alerta, no entanto, que o uso insustentável, a perda de habitat e a exploração comercial excessiva ameaçam essa biodiversidade essencial.
Segundo a especialista, muitas espécies de plantas medicinais estão sob risco devido à coleta excessiva na natureza, à degradação ambiental e à falta de regulamentação adequada no comércio global.
Ela apontou que o grupo de especialistas da Iucn tem trabalhado para aumentar a conscientização sobre essas ameaças e promover práticas de uso sustentável, incluindo avaliações de risco biológico e padrões para coleta silvestre.
Espécie do Himalaia sob risco
Um exemplo citado é a “Nardostachys jatamansi”, conhecida como spikenard, erva do Himalaia utilizada em sistemas tradicionais como o Ayurveda. A planta cresce em regiões de alta altitude no Nepal, na Índia e na China, sendo valorizada pelas suas raízes aromáticas, usadas em preparações medicinais e óleos essenciais.
Como a parte colhida é a raiz, a extração geralmente resulta na morte da planta, exigindo gestão cuidadosa para evitar o declínio populacional. A espécie está listada e classificada como criticamente ameaçada devido a preocupações com exploração excessiva e pressões sobre o habitat.
No Nepal, foram introduzidas restrições comerciais para proteger as populações silvestres, medidas que procuram equilibrar a conservação com os meios de subsistência rurais dependentes da colheita de plantas medicinais.
Ilustração botânica de Nardostachys grandiflora, mostrando a planta com flores cor-de-rosa, folhas verdes e diagramas detalhados de seu sistema de raízes e partes de flores.
Wikipedia Exemplo citado é a “Nardostachys jatamansi”, conhecida como spikenard, erva do Himalaia utilizada em sistemas tradicionais como o Ayurveda.
Papel do Grupo de Especialistas em Plantas Medicinais
O Iucn reúne especialistas globais para monitorar o status de conservação das plantas medicinais, apoiar ações de conservação e incentivar o uso sustentável.
Durante a sua gestão como co-presidente, Danna Leaman contribuiu para iniciativas como diretrizes para coleta sustentável de plantas medicinais e aromáticas, colaborações com organizações como Traffic, Fundo Mundial para a Natureza, WWF e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e avaliações para listas vermelhas da Iucn.
Transição e legado
Ao deixar o cargo de co-presidente, ela expressou otimismo quanto ao futuro do grupo, que continua a expandir sua rede global de especialistas e a influenciar políticas de conservação.
Leaman destacou a necessidade contínua de colaboração entre governos, comunidades locais, indústria e cientistas para garantir que as plantas medicinais permaneçam disponíveis para as gerações futuras, especialmente em regiões onde representam a principal fonte de medicamentos.
A entrevista reforça a mensagem de que a conservação das plantas medicinais não é apenas uma questão ambiental, mas também de segurança em saúde pública e equidade social em escala global.

