Quando a chuva leva tudo, não arrasta só móveis e paredes. Leva memórias, segurança e, muitas vezes, os documentos que garantem o básico da cidadania. Em Juiz de Fora, depois do temporal que castigou a cidade, a Polícia Civil de Minas Gerais decidiu agir.
Nesta sexta-feira, 27 de Fevereiro, as equipas começaram a emitir carteiras de identidade para quem perdeu tudo nas cheias. O atendimento está a acontecer na Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim, que neste momento também serve de abrigo para várias famílias desalojadas.
A ideia é simples e necessária. Sem documento, ninguém consegue pedir apoio, receber benefícios ou sequer reorganizar a própria vida. A acção conta com o apoio do Instituto de Identificação e vai continuar durante o fim de semana, para garantir que o maior número possível de pessoas saia de lá com a situação regularizada.
O responsável pelo 4º Departamento da Polícia Civil na cidade explicou que o objectivo é estar ao lado de quem mais precisa. Segundo ele, muitas famílias perderam não só a casa, mas também os papéis essenciais para provar quem são. E sem isso, a vida fica suspensa.
A orientação é que quem tiver qualquer documento, mesmo molhado ou rasgado, leve consigo. Vale cópia, certidão de nascimento ou casamento, boletim de ocorrência, e até comprovativos digitais guardados no telemóvel, como e-mails ou aplicações oficiais. Qualquer informação ajuda.
E quem não tiver absolutamente nada não será mandado embora. As equipas estão preparadas para analisar cada caso com atenção, sabendo que há pessoas que saíram de casa apenas com a roupa do corpo.
Num momento em que tanta coisa falhou por causa da força da natureza, pelo menos aqui há um esforço para devolver às vítimas algo essencial. O direito de existir oficialmente.


