O percentual permanece praticamente inalterado em relação a 2024, mas é mais que o dobro dos 3,5% registrados em 2012, primeiro ano em que o instituto passou a medir a incidência LGBTQ+. Também supera os cerca de 7% estimados entre 2021 e 2023. Em pouco mais de uma década, o número mais que dobrou. Não se trata de um detalhe estatístico, é um movimento estrutural.
A grande maioria, 86%, declara-se heterossexual. Outros 5% preferem não responder. Mas o dado que mais chama atenção está dentro dos 9%. Mais da metade desse grupo se identifica como bissexual, o que representa cerca de 5% de toda a população adulta dos Estados Unidos. Em 2020, quando as categorias passaram a ser medidas separadamente, 3,1% dos adultos se declaravam bissexuais. Agora são 5,3%. Crescimento expressivo em apenas cinco anos. Gays representam 17% do universo LGBTQ+, lésbicas 16%, transgêneros 12%, cada qual orbitando entre 1% e 2% do total da população adulta. Outros 6% adotam identidades como queer ou pansexual.
A transformação tem idade. Entre adultos com menos de 30 anos, 23% se identificam como LGBTQ+. Quase um em cada quatro. Entre 30 e 49 anos, 10%. Acima dos 50, 3% ou menos. A juventude empurra a curva para cima. E não é apenas juventude, é sobretudo juventude feminina. As mulheres são significativamente mais propensas a se declarar bissexuais do que os homens. Entre os que se identificam como não binários, a maioria também se enquadra como LGBTQ+, especialmente nas categorias bissexual e transgênero.
Há também recorte partidário. Democratas são muito mais propensos do que republicanos a se identificar como LGBTQ+. Em 2012, 1,5% dos republicanos se declaravam LGBTQ+. Hoje são 1,9%. Entre adultos com 65 anos ou mais, a variação foi de 1,9% para 2,3% no mesmo período. Crescimento tímido. Já entre os jovens adultos atuais, especialmente mulheres, o salto foi vigoroso. Moradores de áreas urbanas aparecem com taxas mais altas que os de áreas suburbanas ou rurais. Entre grandes grupos raciais e étnicos, as taxas são semelhantes.
Os números sugerem algo maior do que uma simples mudança comportamental. Indicam mudança de ambiente. Em 2012, assumir uma identidade não heterossexual era estatisticamente raro e socialmente mais arriscado. Em 2025, é parte visível da paisagem. A estatística não cria realidade, mas revela o grau de conforto para declará-la.
A chamada Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, já apresenta quase um quarto de seus adultos identificando-se como algo diferente de heterossexual. À medida que mais integrantes dessa geração atingem a maioridade, a tendência demográfica aponta para crescimento adicional do percentual geral. Não é militância que move a curva, é demografia.
O debate público muitas vezes se perde em trincheiras ideológicas, como se números fossem slogans. Não são. São indicadores de transformação cultural profunda. Quando uma sociedade dobra em pouco mais de dez anos a proporção de pessoas que se identificam fora da heterossexualidade, ela não está apenas mudando costumes, está redesenhando políticas públicas, estratégias eleitorais, mercado consumidor e até linguagens corporativas.
Pode-se discutir causas, pode-se divergir de agendas, mas não se pode ignorar a direção da seta. A América que emerge das entrevistas de 2025 não é a mesma de 2012. O espelho mostra um país mais diverso em autodeclaração, mais jovem na identidade LGBTQ+ e profundamente dividido na leitura política desse fenômeno.
No fim das contas, a estatística é menos sobre porcentagens e mais sobre tempo. O tempo que altera mentalidades, amplia espaços e redefine maiorias. Nove por cento pode parecer pouco para alguns e muito para outros. Para a história, é sinal de virada.


