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Conferência mundial discutiu combate às causas do trabalho infantil e mobilizou países em Marrocos
Publicado em 13/02/2026 07:30
Notícias Gerais

A comunidade internacional se reuniu em Marraquexe, no Marrocos, para a 6ª Conferência Mundial sobre a Erradicação do Trabalho Infantil. O encontro teve como foco enfrentar as causas profundas de um problema que ainda atingia 138 milhões de crianças em todo o mundo.

A iniciativa buscou avançar na meta 7 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8, que trata de trabalho decente e da eliminação do trabalho infantil. Representantes de governos, organizações internacionais e sociedade civil participaram do debate e compartilharam experiências.

Durante o evento, especialistas destacaram a importância da troca de boas práticas entre os países. A diretora do Departamento de Governança e Tripartismo da Organização Internacional do Trabalho, Vera Paquete Perdigão, afirmou que a conferência representou uma oportunidade para fortalecer conexões entre regiões e adaptar soluções às diferentes realidades nacionais.

Um dos destaques do encontro foi a campanha Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil, que retomou uma mobilização lançada há mais de uma década. Inspirada no futebol, a campanha utilizou o símbolo do cartão vermelho para reforçar a ideia de tolerância zero e convocar governos e sociedade a interromper de vez essa prática.

Os dados apresentados mostraram que cerca de 61 por cento das crianças que trabalhavam estavam no setor da agricultura. Aproximadamente 87 milhões estavam na África, o que representava uma parcela significativa do total global. A avaliação indicou que muitos casos ainda não eram plenamente registrados, especialmente quando envolviam trabalho doméstico, muitas vezes realizado por meninas.

A conferência também debateu a relação entre trabalho infantil, acesso à educação e proteção social. Um terço das crianças em situação de trabalho não frequentava a escola e não tinha cobertura de programas de proteção social. Segundo a OIT, apesar de ter havido uma redução de 20 milhões de casos nos quatro anos anteriores, o desafio permanecia grande.

Entre as propostas discutidas estiveram a ampliação da proteção social, a formalização do trabalho, a garantia de emprego digno para pais e responsáveis e o fortalecimento da agricultura familiar com condições adequadas. Também foram abordadas a necessidade de ampliar a ratificação da Convenção 138, que estabelece a idade mínima para o trabalho, e a implementação da Convenção 182, que combate as piores formas de trabalho infantil.

O encontro reforçou o compromisso internacional de acelerar medidas concretas para retirar milhões de crianças do trabalho e garantir que elas tenham acesso à escola e a uma infância protegida.

 
 
 
 
 
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