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Pesquisa Vox Populi revela uso crescente de saúde digital
Alto nível de desconhecimento e desconfiança entre brasileiros
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 11/02/2026 09:30
Notícias Gerais

Uma pesquisa recente encomendada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e realizada pelo instituto Vox Populi indica que o uso de ferramentas digitais relacionadas à saúde cresce no Brasil, mas ainda enfrenta barreiras de confiança e desconhecimento por parte da população.

De acordo com o levantamento, cerca de 60% dos brasileiros afirmam buscar informações sobre saúde na internet, com a grande maioria iniciando suas pesquisas por meio de mecanismos de busca como o Google em busca de sintomas, diagnósticos ou orientações sobre tratamentos. No entanto, apesar desse uso intenso das plataformas digitais, a confiança plena nas informações encontradas é baixa, com muitos usuários adotando uma postura crítica sobre o conteúdo consultado.

O estudo também mostrou que 19% dos entrevistados já utilizam inteligência artificial para buscar informações sobre saúde, um número que reflete a crescente presença de tecnologias avançadas no cotidiano dos brasileiros, ainda que muitos relutem em confiar totalmente nessas ferramentas.

Especialistas em saúde digital interpretam esses dados como um sinal de que, embora o público esteja mais aberto ao uso de serviços virtuais — especialmente após a pandemia de Covid-19 —, o desconhecimento e a desconfiança continuam a limitar a adoção plena de atendimentos de saúde online e telemedicina no país. O cenário mostra que, apesar do potencial da tecnologia para agilizar e ampliar o acesso ao atendimento, muitas pessoas ainda preferem confirmar informações diretamente com profissionais de saúde tradicionais antes de tomar decisões sobre cuidados clínicos, o que pode atrasar a utilização de soluções digitais de forma generalizada.

O levantamento do Vox Populi reforça a importância de campanhas de educação digital em saúde, a melhoria da comunicação entre profissionais e pacientes e o fortalecimento de mecanismos que aumentem a confiança do público nas plataformas virtuais de atendimento médico.

Entre os beneficiários que já utilizaram o atendimento virtual, os níveis de satisfação são elevados em todas as modalidades avaliadas. A avaliação para emissão de receitas ou pedidos de exames pela internet apresenta 96% de satisfação, seguida pela orientação virtual para casos suspeitos de Covid, dengue ou outras condições específicas (95%) e pelo acompanhamento de tratamento ou retorno por videochamada (94%). Esses resultados sugerem que a experiência do usuário tende a ser positiva quando há efetiva utilização dos serviços digitais.

De forma geral, os dados da pesquisa indicam que o atendimento virtual permanece como um componente relevante do modelo assistencial pós-pandemia, com ampla aceitação entre os usuários que o utilizam e com espaço para maior difusão e integração às rotinas de cuidado na saúde suplementar. Mas fica claro que há espaço para crescer.

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