O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado foi divulgado após uma disputa apertada, marcada por mudanças na liderança durante a apuração e por questionamentos relacionados à organização do pleito.
Com a totalização concluída, Lula somou 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, conforme os números divulgados pelo Brasil 61.
A eleição também foi marcada por divergências políticas, dificuldades relatadas no transporte de eleitores em diferentes estados e uma decisão judicial que ampliou o horário de votação em determinadas seções eleitorais.
Nordeste foi decisivo para o resultado
A distribuição regional dos votos evidenciou diferenças significativas nas preferências do eleitorado brasileiro. Lula obteve seu melhor desempenho no Nordeste, região em que alcançou 69,37% dos votos válidos, contra 30,63% de Flávio Bolsonaro.
O resultado nordestino contribuiu para compensar a vantagem do adversário em outras partes do país. No Sul e no Centro-Oeste, o candidato do PL conquistou maior apoio nas urnas.
No Sudeste, Flávio Bolsonaro também ficou à frente, com 52,76% dos votos, enquanto Lula registrou 47,24%. Já no Norte, a disputa terminou praticamente empatada: Lula teve 50,01%, e o senador alcançou 49,99%.
Confira os percentuais regionais divulgados:
Nordeste – Lula, 69,37%; Flávio Bolsonaro, 30,63%.
Norte – Lula, 50,01%; Flávio Bolsonaro, 49,99%.
Sudeste – Flávio Bolsonaro, 52,76%; Lula, 47,24%.
Sul – Flávio Bolsonaro, 62,30%; Lula, 37,70%.
Centro-Oeste – Flávio Bolsonaro, 62,58%; Lula, 37,42%.
Os números mostram um cenário eleitoral dividido regionalmente, com Lula apresentando vantagem expressiva no Nordeste e Flávio Bolsonaro concentrando seus melhores resultados no Sul e no Centro-Oeste.
A divulgação dos resultados parciais apresentou momentos de alternância na liderança. Nas primeiras etapas da apuração, Flávio Bolsonaro apareceu à frente, mas o avanço da contagem dos votos modificou o cenário até a confirmação da vitória de Lula.
No primeiro turno, o senador havia terminado na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista registrou 45,16%. No segundo turno, entretanto, Lula conseguiu reverter a diferença e assegurar a maioria dos votos válidos.
Após a confirmação do resultado, Lula atribuiu a vitória à mobilização de seus apoiadores e destacou temas como democracia e nacionalismo em seu pronunciamento.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, manifestou resistência em reconhecer o resultado, fazendo críticas à atuação de integrantes do Judiciário. As declarações ocorreram em meio à tensão política que marcou a conclusão do processo eleitoral.
Decisão judicial ampliou horário de votação
Além da disputa entre os candidatos, o segundo turno teve um episódio que interferiu no cronograma da apuração.
Inicialmente, o encerramento da votação estava previsto para as 17h, no horário de Brasília. Entretanto, após relatos de dificuldades no transporte de eleitores, uma decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário até as 19h nas seções eleitorais que ainda permaneciam abertas.
A medida foi justificada por alegações apresentadas pelas duas candidaturas sobre obstáculos ao deslocamento dos eleitores.
Como a decisão ocorreu quando parte das seções já havia encerrado os trabalhos, a Justiça Eleitoral precisou ajustar os procedimentos de recebimento dos boletins de urna. A divulgação dos resultados parciais foi temporariamente interrompida, provocando atraso no acompanhamento da apuração.
A mudança também gerou críticas de representantes da oposição, que questionaram a intervenção judicial e seus efeitos sobre a organização do processo eleitoral.
Transporte público entrou no centro das reclamações
As dificuldades de deslocamento foram um dos principais assuntos durante o segundo turno. Representações encaminhadas à Justiça Eleitoral apontaram possíveis reduções na oferta de ônibus em municípios como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.
Órgãos eleitorais solicitaram informações sobre a situação do transporte público para avaliar as ocorrências relatadas.
Além das cidades baianas, problemas na circulação de ônibus também foram mencionados em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Pará, Piauí, Alagoas e Paraíba.
Os relatos motivaram questionamentos sobre as condições de acesso aos locais de votação e a necessidade de garantir que os eleitores pudessem exercer o direito ao voto.
A extensão do horário, porém, não foi aplicada de maneira uniforme a todas as seções: a determinação considerou a situação dos locais em que a votação ainda não havia sido encerrada.
Ocorrências policiais e substituição de urnas
O domingo eleitoral também registrou ocorrências acompanhadas pelas forças de segurança. Segundo o balanço divulgado às 15h, foram contabilizados 413 registros policiais e 43 prisões em flagrante em todo o país.
Minas Gerais liderava a lista estadual, com 50 ocorrências, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 47. Goiás contabilizava 28 registros, Mato Grosso, 26, e Paraíba, 24.
Outro dado divulgado pela Justiça Eleitoral foi a substituição de equipamentos que apresentaram problemas técnicos.
Até as 20h, 1.551 urnas eletrônicas haviam sido trocadas por equipamentos de contingência, o equivalente a aproximadamente 0,31% das 499.248 urnas utilizadas no processo.
São Paulo registrou o maior número de substituições, com 295 equipamentos trocados. Na sequência apareceram Rio de Janeiro, com 159, Paraná, com 140, e Minas Gerais, com 136.
De acordo com as informações publicadas, os equipamentos de reserva permitiram a continuidade da votação, sem necessidade de utilizar cédulas de papel nas seções eleitorais.
Resultado encerra disputa marcada pela polarização
A vitória de Lula consolida o desfecho de uma eleição caracterizada pela forte divisão do eleitorado e pela diferença relativamente estreita entre os dois candidatos no resultado nacional.
Enquanto o Nordeste garantiu uma vantagem expressiva ao petista, o desempenho de Flávio Bolsonaro no Sul, no Centro-Oeste e em parte do Sudeste demonstrou a força eleitoral da oposição nessas regiões.
Os episódios relacionados ao transporte público, à ampliação do horário de votação e à suspensão temporária da divulgação dos resultados também passaram a integrar o debate sobre a condução do pleito.
Com a apuração concluída, o resultado estabelece o cenário político para o próximo mandato presidencial, enquanto os questionamentos apresentados durante a votação dependem de análise pelas autoridades competentes.

