Projeção da ONU considera o avanço da inteligência artificial e desafios econômicos globais. Agência anuncia programas para estimular investimentos e ampliar oportunidades de trabalho.
Cerca de 1,2 bilhão de jovens deverão concluir a formação e ingressar no mercado de trabalho em todo o mundo nos próximos 15 anos. Desse total, aproximadamente 800 milhões poderão enfrentar dificuldades para conseguir uma ocupação. O alerta foi divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em 14 de outubro de 2026.
Segundo o administrador da agência, Alexander De Croo, as estimativas consideram o cenário tecnológico atual, fatores demográficos e os efeitos das políticas públicas adotadas pelos países.
Durante conversa com jornalistas em Nova York, De Croo destacou que a inteligência artificial (IA) representa um fator importante nas transformações do mercado de trabalho. No entanto, ressaltou que políticas ativas de emprego podem alterar as projeções e contribuir para a criação de novas oportunidades.
O dirigente também chamou a atenção para setores que deverão continuar gerando vagas, como saúde, agricultura e turismo. Para ele, ampliar a oferta de trabalho é fundamental para combater a pobreza de maneira duradoura.
Pnud anuncia medidas para ampliar o emprego
Diante do cenário previsto, o organismo internacional apresentou duas iniciativas destinadas a estimular a geração de postos de trabalho e facilitar o acesso dos jovens ao mercado profissional.
A primeira, denominada Acelerador de Investimentos, pretende auxiliar governos na melhoria das políticas de investimento e das normas legais. A proposta é estruturar projetos com condições de receber financiamento e avançar para a execução.
A segunda iniciativa, o Mecanismo de Empregos para a Prosperidade, busca identificar atividades econômicas com maior capacidade de contratação. O programa também pretende reduzir obstáculos que dificultam os investimentos das empresas e a abertura de novas vagas.
As duas ações contam com a colaboração do Banco Mundial, do Banco Europeu de Investimento e do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. Projetos-piloto já foram iniciados em países como Nepal, Iêmen, Haiti, Líbano e Gana.
Crises econômicas ampliam os desafios
O lançamento dos programas ocorre em um contexto de dificuldades enfrentadas por diversas economias em desenvolvimento. De Croo classificou a situação como um “triplo choque”, marcado pelos elevados custos de energia, pela ocorrência de um dos episódios mais intensos do fenômeno El Niño desde 1950 e pelas altas despesas com empréstimos.
De acordo com o relatório do Pnud Sem Tempo para Recuperação, os países em desenvolvimento destinam, em média, 9,5% de suas receitas governamentais ao pagamento de juros da dívida.
O documento também aponta uma mudança preocupante nos indicadores sociais. Pela primeira vez desde 2010, aumentou o número de pessoas em situação de pobreza multidimensional, medida que considera não apenas a renda, mas também as condições de acesso à eletricidade, água potável, saúde e educação.
Nesse cenário, a criação de empregos e o estímulo aos investimentos são apontados como medidas importantes para ampliar as oportunidades econômicas e reduzir a vulnerabilidade social, especialmente entre os jovens que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho.
