O Acidente Vascular Cerebral (AVC) permanece como a segunda principal causa de morte e incapacidade no mundo, apesar dos avanços significativos no tratamento nas últimas três décadas. Estima-se que cerca de um quarto da população terá um AVC ao longo da vida, e que metade dos sobreviventes conviverá com algum grau de incapacidade crônica1.
No caso do AVC isquêmico com oclusão de uma grande artéria, a cada minuto sem tratamento, em média, cerca de 2 milhões de neurônios são perdidos2. Segundo Dr. Igor Pagiola, neurologista e neurointervencionista, de São Paulo/SP, “a rapidez na identificação dos sintomas e o encaminhamento imediato a um centro especializado fazem diferença direta no desfecho clínico.”
Os principais sinais de alerta incluem boca torta, fraqueza em um dos lados do corpo e dificuldade para falar. “A presença de qualquer um desses sintomas deve ser tratada como uma emergência médica e encaminhada imediatamente para avaliação especializada. Não dá para esperar até amanhã para que os sintomas passem”, complementa Dr. Igor.
Em casos selecionados de AVC isquêmico grave, a trombectomia mecânica está entre os tratamentos mais avançados. Trata-se de um procedimento endovascular que remove o coágulo responsável pela obstrução de grandes vasos cerebrais, aumentando de forma expressiva as chances de independência funcional, o que pode significar a recuperação da autonomia em vez da dependência permanente de cuidadores.
Entretanto, mais do que a disponibilidade tecnológica em um hospital, o benefício da trombectomia mecânica e o cuidado do AVC, de modo geral, dependem de uma rede estruturada, integrada e monitorada. Isso inclui uma jornada coordenada do paciente, desde o atendimento pré-hospitalar, com o serviço de emergência (SAMU) e a regulação, até o diagnóstico, tratamento agudo, alta e seguimento.
Nesse contexto, o Brasil enfrenta uma situação preocupante, com apenas 130 Centros de Atendimento de Urgência ao AVC habilitados e, desses, apenas 20 credenciados para realizar trombectomia mecânica.
Esse cenário reforça a necessidade de transformar o cuidado ao AVC, ampliando o valor em saúde entregue à população para enfrentar de forma efetiva um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. A compreensão do seu verdadeiro custo exige uma abordagem multidimensional. Afinal, além do impacto clínico e das consequências sociais e emocionais sobre pacientes, famílias e cuidadores, o AVC também gera um peso econômico expressivo.
Estudos mostram que, em países ocidentais, os custos associados à doença podem representar de 3% a 4% de todo o orçamento destinado à saúde3. Nos Estados Unidos, o custo anual do AVC pode crescer de US$ 105,2 bilhões em 2012 para US$ 240,7 bilhões até 20304. Na Europa, os gastos chegaram a aproximadamente 60 bilhões de euros em 20175.
Esse quadro reforça que garantir acesso equitativo é fundamental no cuidado do AVC. Isso significa estruturar políticas públicas e alocar recursos capazes de assegurar cuidado universal e justo em todas as fases do AVC, independentemente de localização geográfica, condição socioeconômica ou outras barreiras de acesso.
Sobre o AVC
O Acidente Vascular Cerebral é uma emergência médica que ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro ou sangramento intracraniano. O reconhecimento precoce dos sinais, o atendimento imediato e o acesso a centros especializados são determinantes para reduzir mortalidade, sequelas e incapacidade.
