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Pix por aproximação deixa de ter teto de R$ 500 e aumenta responsabilidade dos usuários
Nova regra do Banco Central permite que clientes ajustem limites pelo aplicativo, mas mudança também exige atenção redobrada contra golpes
Publicado em 05/10/2026 12:00
Notícias Gerais

O Pix por aproximação entra em uma nova fase a partir desta quinta-feira, 1º de outubro. O Banco Central retirou o teto específico de R$ 500 por transação que era aplicado à modalidade e passou a permitir que os usuários solicitem ao banco o aumento ou a redução dos limites diretamente pelos canais da instituição financeira. A mudança foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho.

A alteração aproxima o Pix por aproximação das demais formas de utilização do sistema. Na prática, o valor permitido passa a seguir os limites definidos para cada cliente e as regras de segurança adotadas pela instituição. O Banco Central determinou que os bancos disponibilizem ferramentas para gerenciamento desses limites nos aplicativos.

A mudança também alcança outras formas de iniciação de pagamentos, incluindo operações realizadas por código QR, chaves de acesso e transações iniciadas pela chamada Jornada Sem Redirecionamento do Open Finance. A intenção do regulador é reduzir diferenças entre modalidades que oferecem experiências semelhantes de pagamento.

O Pix por aproximação foi lançado em 2025 e permite que o usuário realize pagamentos aproximando o celular ou outro dispositivo compatível de uma máquina de pagamento. A tecnologia utiliza comunicação por aproximação e pode estar integrada a carteiras digitais.

A maior liberdade para movimentar valores, entretanto, também aumenta a importância dos cuidados de segurança. A mudança de regra cria um novo cenário para golpes baseados em engenharia social, especialmente aqueles em que criminosos tentam convencer o usuário a alterar o próprio limite ou realizar uma operação sob o pretexto de atualização de segurança.

A orientação mais importante é simples. Alterações de limite devem ser realizadas exclusivamente pelo aplicativo ou pelos canais oficiais da instituição financeira. Banco, carteira digital ou instituição de pagamento não deve exigir que o cliente informe senhas, códigos de autenticação ou permita acesso remoto ao aparelho para realizar esse procedimento.

O alerta ganha relevância porque mudanças em sistemas de pagamento costumam gerar oportunidades para criminosos explorarem dúvidas dos usuários. O especialista em prevenção a fraudes da FICO, Rafael Garcia, afirma que fraudadores tendem a testar novas possibilidades quando ocorrem alterações nas regras dos meios de pagamento.

Para os bancos, o desafio também aumenta. As instituições precisam identificar rapidamente operações que destoem do comportamento habitual de cada cliente sem transformar os mecanismos de segurança em obstáculos para transações legítimas.

O próprio Banco Central vem reforçando mecanismos de prevenção e tratamento de fraudes no Pix. O Mecanismo Especial de Devolução permite que vítimas de golpes solicitem a análise da transação junto à instituição financeira, observadas as regras e os prazos previstos.

A nova regra, portanto, amplia a conveniência, mas não elimina o risco. Quanto maior a liberdade para movimentar dinheiro, maior precisa ser a responsabilidade sobre os mecanismos de proteção.

O consumidor deve saber exatamente onde alterar seu limite, desconfiar de mensagens inesperadas e nunca realizar procedimentos de segurança orientados por terceiros.

No novo Pix por aproximação, praticidade e segurança terão de caminhar juntas. A tecnologia pode tornar o pagamento mais rápido. O cuidado continua sendo responsabilidade de todos.

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