As mulheres são a maioria (52,48%) do eleitorado mineiro, ou 8.594.838 eleitoras, mas ainda são minoria com mandato politicoFoto: Luiz Santana - Arquivo ALMG
Neste domingo, dia 4 de outubro, cada eleitor e cada eleitora do Estado tem um compromisso especial, além de escolher o presidente da República, o governador, dois senadores e um deputado federal: é a votação para os deputados e deputadas estaduais, que irão compor a 21ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), de fevereiro de 2027 a janeiro de 2031.
Como são os representantes mais próximos da realidade em que vivem os mineiros, das dificuldades e dos anseios, é bom não deixar para a última hora a preparação para a tarefa tão importante de exercício da cidadania.
No cardápio de opções, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram registradas 998 candidaturas a deputado estadual, representando todas as regiões do Estado, todos os gêneros, raças, níveis sociais, espectros ideológicos e prioridades de atuação.
Em disputa estão 77 cadeiras no Legislativo estadual. Os eleitos para mandato de quatro anos terão a função de representar os interesses da sociedade mineira em áreas como saúde, educação, segurança e meio ambiente. Eles vão discutir e votar leis que têm impacto direto na vida das pessoas. Além disso, devem fiscalizar o Poder Executivo, avaliando a eficácia das políticas públicas.
Para escolher bem, é preciso avaliar as origens, o perfil e a trajetória dos candidatos, assim como seus posicionamentos e planos de atuação.
Após dar seu voto na urna eletrônica no dia das eleições, uma vez confirmados os resultados, os eleitos serão os representantes aos quais, teoricamente, o cidadão terá mais fácil acesso nos próximos anos, mesmo que eventualmente o seu candidato preferido não seja eleito.
Pensando nisso, a Assembleia Legislativa lançou recentemente uma nova campanha publicitária institucional cujo mote é “Cuide bem do seu voto”. A iniciativa, de caráter educativo, informativo e de orientação social, resulta de um acordo de cooperação com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). O objetivo é conscientizar o cidadão sobre a importância do diálogo e da busca de informações em fontes oficiais para fazer uma boa escolha na hora de votar.
O cientista político, pesquisador e professor Malco Braga Camargos, CEO do Instituto Ver Pesquisa e Comunicação, reforça a importância da iniciativa. “Não há outra saída para a política que não seja por meio da política. O eleitor que se distancia, que se revolta e busca saídas alternativas, acaba trazendo para si decisões piores do que se participasse da política”, pondera.
“O voto consciente, no qual o cidadão pesquisa sobre cada um dos candidatos e faz a sua hierarquia de escolha, do melhor até o menos preferido, é fundamental para a qualificação do eleitor. Uma vez que o eleitor se qualifica, ele qualifica também o sistema político”, completa Malco Camargos.
“Um eleitor que não participa, aquele mal informado, não registra o seu voto e não acompanha o desempenho dos políticos. Mas aquele que fez a sua ordem de preferência numa eleição, na próxima ele se lembrará em quem votou e vai fazer uma avaliação retrospectiva. Avaliará se valeu a pena ou não o seu voto, se vale repetir a mesma direção ou se é melhor buscar um outro caminho”.
Malco Camargos
Cientista político
O que não faltam são opções de candidatos para o eleitor consciente comparar e decidir seu voto. De acordo com dados do TSE, para todos os cargos em disputa, o total é de 1.832 candidaturas em Minas Gerais. Os candidatos a deputado estadual são a maioria (998, ou 54,5%), seguidos de perto pelos postulantes ao cargo de deputado federal (756, ou 41,3%).
Em termos de faixa etária, a idade média geral dos candidatos no Estado é 49 anos. O maior percentual está na faixa etária de 40 a 49 anos (556, ou 30,3%), seguida de 50 a 59 anos (481, ou 26,3%). Somadas essa duas faixas, é onde se situam a maioria deles (56,6%).
Aqueles que se declaram da cor branca são também maioria, 902 candidatos (49,2%), assim como os que têm maior grau de instrução, pois 970 deles declaram ter curso superior completo, 52,9%. No que diz respeito ao estado civil, a maioria deles se declara casada (886, ou 48,4%).
Mulheres são minoria como candidatas e como eleitas
Do total de 1.832 candidaturas no Estado, as mulheres ainda são a minoria (35,2%, ou 645 candidatas), embora sejam maioria da população brasileira: 51,5%, segundo o Censo Demográfico 2022.
A sub-representação política já foi tema de outra campanha institucional da ALMG, intitulada “Mais Mulheres na Política”. Nas eleições de 2022, o Legislativo estadual de Minas alcançou a maior bancada feminina da história, com 15 deputadas eleitas, representando cerca de 19% da composição do Parlamento mineiro.
Pela legislação eleitoral em vigor, as candidaturas proporcionais dos partidos, ou seja, para deputado estadual ou federal, têm que obedecer a uma cota mínima feminina de 30% do total. Nesse aspecto, PSDB (46,8%), Psol (44,2%) e PP (42,9%) são os partidos com maior percentual de candidatas mulheres.
Na avaliação de Malco Camargos, a sub-representação replica outras desigualdades em uma sociedade patriarcal que nunca tratou as mulheres como iguais. “Para isso acabar, precisamos evoluir não só na política, mas nas várias esferas da sociedade, e reconhecer que gênero não pode mais gerar impacto tanto na escolha política quanto na valorização profissional, na divisão do trabalho doméstico, na susceptibilidade à violência, entre outros aspectos da vida que ainda fazem diferença no dia a dia das mulheres”, analisa.
Todas as candidaturas inscritas em Minas Gerais, tanto de homens quanto de mulheres, estão vinculadas a 29 partidos políticos, condição indispensável para concorrer. Cada candidato a deputado estadual é representado na urna por um número individual de cinco dígitos, sendo que os dois primeiros indicam o partido ao qual ele está filiado.
Nas próximas eleições, os três partidos com mais postulantes no Estado são, nessa ordem, Novo (138), Podemos (135) e PL (128). Os partidos também podem se unir em federações partidárias, mas a maioria dos candidatos em Minas Gerais, ou 1.279 (69,8%), está competindo sem esse tipo de vínculo.
Aliás, pesquisar a história e a atuação do partido político do postulante ao cargo de deputado estadual até poderia ser um bom ponto de partida para decidir o voto. Não fosse o fato de que, atualmente no Brasil, poucos deles sejam de fato identitários, conforme ressalta o cientista político Malco Camargos.
“Partidos políticos deveriam funcionar como um atalho em uma democracia. Uma vez que o político faz parte de uma agremiação partidária, era de se prever o seu comportamento político e quais causas ele defende. Mas, infelizmente, a maioria deles é apenas um agrupamento de pessoas e interesses, quase sempre particulares”, lamenta.
Outro problema, de acordo com o especialista, é que as campanhas no Brasil são personalistas, ou seja, valorizam a pessoa do candidato, sua imagem, e não seu grupo político ou mesmo a trajetória e as ideias daqueles que compõem a sua agremiação.
“A consequência disso é um eleitor cada vez mais focado em pessoas, que são muito mais volúveis individualmente do que quando estão em grupo. O resultado disso é mais imprevisibilidade nas eleições, pois o eleitor fica buscando a cada eleição o novo salvador da pátria”, afirma Malco Camargos.