O pré-natal é uma das principais estratégias para promover a saúde da gestante e do bebê durante a gravidez. Um estudo recente, publicado na revista internacional de saúde e ciência Springer Nature, revelou que o Brasil universalizou o acesso à primeira consulta de pré-natal, com 99,4% de cobertura. Porém, 1 em cada 5 gestantes não concluiu o ciclo mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde de 7 consultas, reduzindo para 78,1% o engajamento com o calendário de consultas. O acompanhamento regular permite identificar precocemente condições que podem comprometer a gestação, como diabetes gestacional, hipertensão, infecções e alterações no desenvolvimento fetal, contribuindo para a redução de complicações e para um parto mais seguro.
O acompanhamento periódico segue um calendário pré-estabelecido: consultas mensais até a 28ª semana de gestação, quinzenais entre a 28ª e a 36ª e semanais a partir desse período. "É importante lembrar que o pré-natal pode e deve ser realizado com a participação do parceiro ou da parceira da gestante e, sempre que houver essa possibilidade e for da vontade dela, também da família", destaca a ginecologista do Sabin Diagnósticos e Saúde, Luciana de Paiva Nery Soares.
Durante esse acompanhamento, são realizados exames laboratoriais para monitorar a saúde materna e fetal. As análises de sangue permitem verificar o tipo sanguíneo e o fator Rh, identificar anemias, alterações glicêmicas, infecções sexualmente transmissíveis, hepatites virais, HIV, sífilis e toxoplasmose. "Além disso, a proteção vacinal também é importante durante a gestação", pontua a médica.
Os exames de imagem também fazem parte da rotina e fornecem informações sobre o desenvolvimento do bebê. As ultrassonografias permitem confirmar a idade gestacional, acompanhar o crescimento e a formação dos órgãos fetais, avaliar a quantidade de líquido amniótico, a localização da placenta e identificar possíveis alterações estruturais. “Esses exames orientam a conduta médica e ajudam a observar a evolução da gestação em diferentes fases da gravidez”, explica Luciana.
Além dos exames de rotina, o pré-natal também conta com métodos de triagem para identificar precocemente síndromes genéticas. Entre eles, a ginecologista menciona a ultrassonografia com medida da translucência nucal, realizada entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, e o teste de pré-natal não invasivo (NIPT), feito a partir de uma amostra de sangue materno. Esses exames auxiliam na detecção de alterações cromossômicas, como as síndromes de Down, Edwards e Patau, permitindo uma investigação precoce sem oferecer riscos ao feto.
Caso a gestante desenvolva condições como hipertensão, diabetes ou apresente sangramentos durante a gravidez, tanto sua saúde quanto o desenvolvimento do bebê podem ser comprometidos. "O acompanhamento pré-natal favorece a descoberta precoce de sintomas e condições específicas, que devem ser avaliadas de perto pelos profissionais de saúde. A adoção de hábitos saudáveis é fundamental para prevenir complicações e doenças que podem surgir na gravidez. Priorizar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e ter um sono de qualidade são cuidados essenciais durante toda a vida e ainda mais importantes nesse período", completa Luciana.