Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
36 anos do ECA
Depoimento especial fortalece a proteção de crianças e adolescentes
Publicado em 15/07/2026 11:00
Notícias Gerais
not eca 36 anos.png
ECA completa 36 anos com foco na proteção integral de crianças e adolescentes (Crédito: Google Gemini / Imagem Ilustrativa)

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei nº 8.069/1990) completa 36 anos nesta segunda-feira (13/7). Em vigor desde 1990, o estatuto consolidou os direitos previstos na Constituição Federal, reconhecendo crianças e adolescentes como sujeitos de direitos sob os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta.

Como parte desse avanço, Belo Horizonte inaugurou, em junho, o Centro Integrado de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, no bairro Santa Efigênia, região Leste.

“A ideia é resolver a situação de forma rápida e eficiente, em um único lugar, de uma única vez”, afirma o juiz titular da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente (Vecca) da Comarca de Belo Horizonte, Paulo Cezar Mourão Almeida.

O novo espaço reúne instituições essenciais: Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), Delegacia Especializada da Polícia Civil, Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) e Conselho Tutelar.

Not 1 36 anos do Estatuto da Crianca e do Adolescente.jpg
Sala de depoimento especial no Centro Integrado da Criança e do Adolescente de BH (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

O que é o depoimento especial?

Uma das principais ferramentas do Centro Integrado é o depoimento especial, um procedimento que protege a criança contra a revitimização. Isso significa que a vítima ou testemunha precisa contar a história da violência sofrida apenas uma vez. E recebe acompanhamento especializado nessa escuta.

A estrutura física foi planejada com entradas separadas para vítimas e réus, evitando o contato com o agressor, prevenindo a chamada violência institucional.

Conforme o juiz Paulo Mourão, “70% dos crimes, entre violações psíquicas, físicas e sexuais, são praticados em ambiente familiar, por parentes ou pessoas próximas. Por isso, em Belo Horizonte, ouvimos crianças de diferentes bairros, de todas as classes sociais.”

Not 7 36 anos do Estatuto da Crianca e do Adolescente.jpg
Juiz Paulo César Mourão alerta que 70% dos crimes cometidos contra menores de idade se dão em ambiente familiar (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Como funciona o procedimento

Seguindo os protocolos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o depoimento especial acontece de forma acolhedora. Confira os passos:

  • Recepção e acolhimento: a criança chega com um responsável e é acompanhada por um psicólogo ou assistente social. Em seguida, ela entra em uma sala de acolhimento com sofás, brinquedos e livros infantis
     
  • Preparação: o profissional explica à vítima como será o depoimento e a importância desse ato para solucionar o caso
     
  • O depoimento: na sala de depoimento, que possui poucos atrativos para não dispersar a atenção, a criança responde livremente às perguntas feitas pelo profissional especializado
     
  • Monitoramento: em outra sala, autoridades do Judiciário, do MPMG, da DPMG e OAB-MG acompanham tudo em tempo real por áudio e vídeo
     

Rede de proteção

O registro de violência contra crianças e adolescentes tem crescido: nos primeiros quatro meses de 2026, foram mais de 100 mil denúncias no Brasil. Para combater esses crimes, o Sistema de Justiça trabalha em parceria com as áreas de Saúde, Educação e Sociedade Civil. Muitas vezes, as agressões são detectadas por professores nas escolas ou por profissionais de saúde.

O juiz Paulo Mourão avalia que, embora o ECA seja uma legislação avançada ao prever punições contra qualquer forma de negligência ou exploração, o cuidado deve ser coletivo e diário:

“Para isso, faz-se necessária uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e Estado para zelar pela vida, saúde, educação e dignidade. Do ponto de vista legislativo, o ECA é bastante avançado.”
Not-inauguracao-centro-integrado-VECA.jpg
Desembargadores prestigiaram a inauguração do Centro Integrado de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente em Belo Horizonte (Crédito: Pollyanna Bicalho / TJMG)
Comentários