Uma gravidez saudável nem sempre começa na concepção. Para quem deseja se preparar com antecedência, o planejamento gestacional se torna o primeiro passo da jornada da maternidade. Esse preparo, iniciado com um check-up pré-concepcional, é fundamental para mapear a saúde da futura mãe e garantir que o corpo esteja em condições adequadas para gerar uma vida.
O ponto de partida é a consulta médica, na qual o histórico de saúde da mulher e do parceiro é avaliado. A partir disso, exames de sangue, como um hemograma completo, por exemplo, são importantes para detectar uma possível anemia, enquanto a tipagem sanguínea e o fator Rh podem prevenir a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê. Além disso, a glicemia de jejum rastreia o risco de diabetes gestacional, uma condição cada vez mais comum.
Outra cuidado necessário é a blindagem contra infecções e o monitoramento hormonal. Para isso, as sorologias são exames de sangue que verificam a imunidade prévia ou a presença de infecções ativas que exigem tratamento ou monitoramento especial, incluindo: toxoplasmose; rubéola; citomegalovírus; hepatites B e C; sífilis; HIV. Já o perfil tireoidiano é um conjunto de exames que avaliam o funcionamento da tireoide, uma vez que desregulações hormonais podem impactar diretamente a fertilidade e o desenvolvimento do feto.
"Essa avaliação pré-concepcional permite identificar deficiências vitamínicas, verificar a imunidade e detectar infecções ou condições metabólicas que possam impactar a gestação. É um mapa da saúde da mulher que nos permite atuar de forma preventiva, garantindo mais segurança para a mãe e o bebê desde o primeiro dia", destaca Luciana de Paiva Nery Soares, médica ginecologista e especialista do Sabin Diagnóstico e Saúde.
O cuidado se estende com o Papanicolau, que investiga a saúde do colo do útero, um ultrassom transvaginal para checar a estrutura do útero e dos ovários, e exames de urina para detectar infecções silenciosas. Em casos específicos, como idade avançada ou irregularidade menstrual, o médico pode solicitar a avaliação da reserva ovariana (hormônio Anti-Mülleriano) e a dosagem de vitaminas chave, como D e B12.
Segundo a ginecologista, além dos exames, o planejamento também envolve a suplementação com ácido fólico, por exemplo, que deve ser iniciada pelo menos três meses antes da gestação para prevenir malformações no sistema nervoso do bebê. “Atualizar a carteira de vacinação (contra rubéola, tétano, hepatite B, por exemplo) é igualmente importante, assim como incluir o parceiro no processo, que também pode realizar um check-up para avaliar sua saúde geral”, completa Luciana.