O México soma 104,9 milhões de usuários de internet, dos quais 97,3% acessam a rede por meio de um smartphone, de acordo com os resultados mais recentes da Pesquisa Nacional sobre Disponibilidade e Uso das Tecnologias da Informação nos Domicílios (ENDUTIH) 2025, realizada pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) e analisada pela consultoria The Competitive Intelligence Unit (The CIU).
Segundo a análise da The CIU, a crescente oferta de smartphones de diferentes categorias e faixas de preço, aliada à ampliação da cobertura das redes móveis e ao maior acesso aos serviços de conectividade, permitiu que a internet se consolidasse como uma ferramenta essencial para comunicação, educação, trabalho, serviços financeiros e entretenimento.
Radamés Camargo, analista da consultoria, afirmou que a expansão do acesso móvel possibilitou que milhões de pessoas utilizem serviços digitais, plataformas financeiras, aplicativos de mobilidade, comércio eletrônico, redes sociais e ferramentas de comunicação de praticamente qualquer lugar.
Redes móveis impulsionam a conectividade nas áreas rurais
Um dos resultados mais relevantes da ENDUTIH 2025 é o crescimento acelerado da conectividade nas áreas rurais, impulsionado principalmente pela expansão das redes móveis.
Enquanto nas áreas urbanas a proporção de usuários de internet passou de 86,9% para 88,9%, nas localidades rurais o índice avançou de 68,5% para 75,2% em apenas um ano, o maior crescimento anual registrado nos últimos oito anos.
De acordo com Camargo, esse avanço demonstra como as redes móveis continuam reduzindo a desigualdade territorial no acesso à internet em regiões historicamente menos atendidas.
No entanto, ele alerta que, à medida que o México se aproxima da universalização da conectividade, surgem novos desafios relacionados à qualidade do acesso, às habilidades digitais da população e ao tipo de dispositivo disponível para os usuários.
Computadores ainda ficam para trás
Apesar do avanço da conectividade móvel, a disponibilidade de computadores continua sendo um dos principais gargalos da digitalização no México.
Enquanto os smartphones apresentam uma penetração praticamente universal entre os usuários de internet, apenas 44,7% dos domicílios possuem computador, e somente 36,2% dos internautas utilizam esses equipamentos para acessar a internet.
Segundo a análise da The CIU, essa diferença limita o desenvolvimento de competências digitais mais avançadas e reduz o potencial de uso da internet para atividades de maior produtividade, como programação, análise de dados, trabalhos especializados e criação de conteúdo.
"O smartphone permitiu incluir milhões de pessoas no ambiente digital, mas não substitui completamente as capacidades produtivas de um computador", afirmou Camargo.
A exclusão digital já não se mede apenas pelo acesso
Embora o México continue avançando rumo à universalização do acesso à internet, o principal desafio deixou de ser apenas a conexão e passou a ser a forma como as pessoas utilizam as ferramentas digitais. Enquanto atividades como troca de mensagens, redes sociais e streaming apresentam níveis de adoção cada vez maiores, outros serviços digitais ainda registram uma penetração significativamente menor.
Atualmente, apenas 37,3% dos usuários fazem compras online. Outros 35,9% baixam softwares ou aplicativos, 35,7% utilizam plataformas de serviços governamentais, 35,6% realizam pagamentos digitais, 32,9% usam serviços bancários digitais e apenas 21,6% recorrem a serviços de computação em nuvem.
Para a The CIU, essas diferenças demonstram que a nova exclusão digital já não depende apenas da possibilidade de acessar a internet, mas também da capacidade de utilizá-la para fins produtivos, educacionais, financeiros e de inclusão econômica.
"A exclusão digital está evoluindo de uma desigualdade de acesso para uma desigualdade de aproveitamento", conclui a análise.
