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O avanço da conectividade nas escolas brasileiras tem estimulado novas reflexões sobre o papel da tecnologia na educação e sobre como integrar as ferramentas digitais de forma responsável e alinhada aos objetivos pedagógicos. Nesse contexto, a sala de aula se consolida como um espaço seguro e ideal para o desenvolvimento de competências digitais, do pensamento crítico e do uso pedagógico das telas, permitindo que os alunos aprendam a identificar informações confiáveis e a aplicar habilidades digitais em diferentes contextos. Para que essas tecnologias cumpram plenamente sua função educacional, também é fundamental acompanhar os professores e promover estratégias de formação digital que favoreçam uma integração equilibrada e eficaz dos dispositivos no processo de aprendizagem.
Dados publicados em 2025 pela Estratégia Nacional Escolas Conectadas mostram que 68,4% das escolas públicas incluídas no programa já contam com acesso à internet, o que representa mais de 94.000 estabelecimentos conectados no país. O objetivo do Governo federal é universalizar o acesso digital nas escolas públicas.
No entanto, a implementação continua enfrentando desafios estruturais. Em muitas regiões, especialmente fora dos grandes centros urbanos, as instituições de ensino enfrentam interrupções de sinal, baixa velocidade de internet e dificuldades para acessar conteúdos digitais de forma contínua. Esse cenário reforça a necessidade de soluções educacionais mais flexíveis e adaptadas às diferentes realidades do país.
Nesse contexto, as plataformas capazes de funcionar tanto online quanto offline ganham destaque no debate sobre a educação digital. Para Ainhoa Marcos, vice-presidente de Educação e Setor Público da ODILO, edtech espanhola que transforma a forma como pessoas e organizações aprendem em um ambiente digital único, a tecnologia deve ser projetada a partir de uma perspectiva inclusiva, garantindo o acesso à aprendizagem mesmo em contextos de conectividade limitada. “A conectividade é importante, mas não pode se tornar um obstáculo à aprendizagem. A tecnologia educacional deve se adaptar à realidade das escolas e garantir a continuidade do acesso ao conhecimento, independentemente da qualidade da conexão”, explica.
Segundo a especialista, as soluções que permitem o acesso mesmo offline contribuem para ampliar a democratização da educação e oferecem maior autonomia a professores e alunos, especialmente em regiões com limitações estruturais.
O professor como eixo da transformação digital
O debate sobre a educação digital ganhou ainda mais força nos últimos meses, após a publicação das novas diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE), que reforçam a importância do uso pedagógico e orientado das tecnologias digitais nas escolas.
Nesse contexto, cresce o debate sobre como integrar as ferramentas digitais de maneira equilibrada no cotidiano escolar, sem substituir o papel dos professores, mas ampliando as possibilidades de ensino e aprendizagem. Para Ainhoa Marcos, a tecnologia só gera um impacto real quando está ligada a estratégias pedagógicas capazes de promover a personalização do ensino, a inclusão e um maior envolvimento dos alunos. Nesse sentido, o corpo docente continua sendo a peça-chave nos novos modelos educacionais, já que “nenhuma tecnologia será capaz de substituir essa capacidade humana que o professor possui, embora a tecnologia possa potencializar seu trabalho e lhe dar superpoderes”, acrescenta.
No caso da ODILO, a empresa oferece ferramentas de inteligência artificial que permitem aos professores criar materiais educacionais personalizados com o apoio da IA, reduzindo as tarefas burocráticas e liberando tempo para se concentrarem no ensino e na atenção individualizada. Marcos também garante que os sistemas de avaliação curricular continuarão existindo para medir competências e conhecimentos, mas destaca que a tecnologia permite personalizar o acesso à aprendizagem, oferecendo diferentes maneiras de abordar conteúdos como matemática ou história por meio de algoritmos de recomendação, em uma “experiência de descoberta na qual o aluno não busca o conteúdo, mas o conteúdo encontra o aluno”.
Além disso, essa abordagem é complementada pelo compromisso de garantir ambientes educacionais seguros e conteúdos verificados e de qualidade, reforçando o papel da tecnologia como apoio ao processo de ensino-aprendizagem.
Apoio aos professores
Além da infraestrutura, outro dos desafios apontados pelos educadores é a necessidade de acompanhar os professores no processo de transformação digital. Nesse sentido, as ferramentas tecnológicas com fins educacionais ampliam as possibilidades de formação e oferecem novos recursos para enriquecer o ensino por meio de vídeos, animações ou simulações que facilitam a compreensão de conteúdos complexos. Esse apoio é especialmente relevante nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), onde conceitos abstratos podem se beneficiar de abordagens mais visuais e interativas, melhorando tanto o trabalho docente quanto a compreensão dos alunos.
Da mesma forma, esses recursos digitais funcionam como uma porta de entrada para a digitalização da sala de aula, permitindo ampliar o acesso a conteúdos educacionais e oferecer uma maior diversidade de materiais adaptados a diferentes ritmos e estilos de aprendizagem. As plataformas de aprendizagem podem, além disso, recomendar exercícios, leituras e avaliações ajustadas às necessidades de cada aluno, promovendo uma experiência mais personalizada e reduzindo as lacunas de aprendizagem.
Nesse contexto, as soluções digitais se consolidam como aliadas da prática pedagógica, contribuindo para um ensino mais dinâmico, acessível e flexível, sem sobrecarregar os professores. “A tecnologia deve apoiar o trabalho dos professores e ampliar as possibilidades dentro da sala de aula. O objetivo não é substituir a mediação pedagógica, mas oferecer recursos que tornem a aprendizagem mais inclusiva e adaptada a cada aluno”, complementa a executiva.
Com o avanço dos debates sobre educação digital no Brasil, o futuro da aprendizagem se orienta cada vez mais para modelos híbridos capazes de responder a diferentes contextos de conectividade e necessidades educacionais.