O governador Mateus Simões participou, nesta segunda-feira (18/5), do início oficial das atividades do Hospital Regional de Teófilo Otoni (HRTO), no Vale do Mucuri. Primeiro dos cinco grandes hospitais com obras retomadas e entregues na atual gestão, o HRTO começou a receber os primeiros pacientes após a conclusão das intervenções estruturais, em dezembro de 2025, e da etapa inicial de instalação de mobiliários e equipamentos hospitalares.
Durante a agenda, o governador foi recepcionado por um grupo de 30 profissionais que começou a atuar no hospital, entre técnicos, enfermeiros e médicos. E também acompanhou o primeiro atendimento realizado na unidade. A aposentada Elizabete Constância de Almeida, de 62 anos, moradora de Teófilo Otoni, foi a primeira pessoa a realizar um exame no hospital - ela aguardava há pelo menos seis meses por uma marcação.
“Eu acabei de passar pela recepção do hospital e chamar a primeira paciente que fez o primeiro exame aqui. Fez uma tomografia de crânio e nenhuma lesão foi detectada. Eu chamo a atenção para o fato de que o hospital vai atender 50 municípios nos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Nós estamos falando do fim de um vazio assistencial de mais de 50 anos. Os equipamentos estão chegando, o imobiliário está chegando, as camas estão aí, as UTIs estão montadas. Cada leito dele que é aberto, é aberto já com o custeio garantido para que a gente possa fazer os atendimentos”, disse o governador Mateus Simões.
O governador ainda reforçou que, além das especialidades de média e alta complexidade previstas, o Hospital Regional de Teófilo Otoni também atenderá a especialidade de oncologia. “Originalmente, o hospital contemplaria maternidade de alto risco, neurocirurgias, tratamento de queimados, tratamento ortopédico, mas não teria oncologia. Nós estamos puxando a oncologia para que a gente não tenha mais que remover pacientes para outras regiões”, informou o governador.
A aposentada Elizabete de Almeida também celebrou o início das atividades do HRTO e foi agraciada com um certificado de paciente número um da unidade de saúde. “O Hospital Regional vai mudar a nossa vida e a forma como a população do Mucuri é atendida. Antes, todo mundo tinha que se deslocar para Belo Horizonte, uma viagem que dura quase o dia todo, para fazer apenas um exame. Eu mesma estava aguardando há seis meses essa marcação. Mas tive a felicidade de ser contemplada no primeiro dia de funcionamento do hospital”, disse Elizabete.
O governador Mateus Simões ainda percorreu setores do hospital em atividade e conferiu os primeiros equipamentos instalados na sala de exames, no setor de mamografia, tomografia, raio-x, UTI e em parte da área de leitos.
Investimentos e atividades hospitalares
A abertura do hospital marca um momento histórico para a saúde pública do Vale do Mucuri e amplia o acesso na região a atendimentos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado o maior complexo hospitalar do interior de Minas Gerais, o HRTO beneficiará cerca de 800 mil pessoas de mais de 50 municípios da região.
Somente em 2026, estão garantidos mais de R$ 55 milhões para custeio das etapas de abertura do hospital, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), especialmente pelo Valora Minas. Desse total, R$ 23 milhões já foram repassados pelo Estado. Além disso, mais de 200 profissionais foram contratados para atuação no HRTO neste primeiro momento.
Para equipagem da unidade, o Estado estimou investimento de R$ 145 milhões. Foi firmado convênio de R$ 120 milhões com o Instituto Mário Penna para aquisição de mobiliários e equipamentos hospitalares. Além disso, a SES-MG realizou previamente a compra de equipamentos hospitalares no valor aproximado de R$ 26 milhões, incluindo dois tomógrafos, que permanecem como patrimônio público estadual destinado ao hospital.
O Instituto Mário Penna, entidade gestora da unidade, é responsável pela operacionalização do hospital e pela implantação dos serviços hospitalares e ambulatoriais, exclusivamente no âmbito do SUS.
Funcionamento
Nesta primeira etapa, o hospital inicia gradualmente os atendimentos assistenciais e os exames diagnósticos, priorizando os setores ambulatorial e de diagnóstico por imagem. O acesso aos serviços será feito exclusivamente pela Central de Regulação da Prefeitura de Teófilo Otoni, responsável pelo encaminhamento de pacientes já inseridos na rede pública.A unidade conta com parque tecnológico moderno, incluindo tomógrafos computadorizados, equipamentos de raio-X digital fixo e móvel. A previsão é que, nas próximas etapas de implantação, sejam abertos cerca de cem leitos, incluindo leitos de terapia intensiva (UTI). O processo, sob condução do Instituto Mário Penna, ocorrerá de forma escalonada, buscando garantir a consolidação das equipes profissionais e a organização dos fluxos assistenciais. “É um momento muito importante para a região, para os profissionais de saúde e toda a população. Já estamos funcionando para os exames de imagem e, em breve, estaremos com o hospital operando 100%”, disse o diretor-presidente do Instituto Mário Penna, Marco Antônio Viana Leite.
Também participaram da agenda a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), Nayara Porto; os secretários de Estado de Governo, Castellar Neto; de Saúde, Fábio Baccheretti; a secretária-adjunta da Secretaria Geral, Gabriela Brandão; e a presidente do Serviço Social Autônomo (Servas), Christiana Renault, além do diretor-presidente do Instituto Mário Penna, Marco Antônio Viana Leite.
Retomada e investimentos
As obras do Hospital Regional de Teófilo Otoni começaram em 2014, mas foram paralisadas dois anos depois. A atual gestão estadual retomou os trabalhos em outubro de 2022 e concluiu a obra em dezembro de 2025, com investimento de aproximadamente R$ 130 milhões provenientes do Acordo de Reparação de Brumadinho.
Ao todo, os investimentos na unidade somam R$ 275 milhões, incluindo a conclusão das obras, aquisição de equipamentos e preparação para o funcionamento do hospital.
Com mais de 22 mil metros quadrados de área construída, o equivalente a cerca de três campos de futebol , a estrutura completa do HRTO contará com 429 leitos, oito salas cirúrgicas, pronto-atendimento com 20 leitos de observação e três leitos de emergência.
A estrutura inclui ainda serviços de apoio diagnóstico, como ressonância magnética, tomografia, ultrassom, ecocardiograma, mamografia, raio-X, endoscopia e exames laboratoriais. A unidade foi projetada para ofertar serviços de média e alta complexidade em áreas como neurocirurgia, traumatologia, ortopedia, hematologia, atendimento a queimados, maternidade de alto risco, urgência e emergência.
O modelo de gestão adotado para o HRTO é o de concessão de uso para entidade filantrópica sem fins lucrativos. Nesse formato, o Estado mantém a titularidade do imóvel e dos bens públicos, enquanto a instituição concessionária assume a gestão administrativa, operacional e assistencial da unidade.
Hospitais regionais
O Hospital Regional de Teófilo Otoni integra o conjunto de cinco hospitais regionais cujas obras foram retomadas pelo Governo de Minas, com investimento total de quase R$ 1 bilhão e potencial de beneficiar mais de 4,2 milhões de pessoas em diferentes regiões do estado.
Além do HRTO, o Hospital Regional de Divinópolis foi entregue pelo Governo de Minas em 10/2/2026. As unidades de Sete Lagoas, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete têm previsão de entrega até o fim de 2026.
