Enquanto outros estados avançam na implementação da nova diretriz de tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) no SUS, Minas Gerais enfrenta desafios. A terapia tripla fixa em spray, indicada para pacientes com quadros graves e muito graves, ainda aguarda fluxos administrativos para ser efetivamente oferecida a quem precisa.
A DPOC é uma condição progressiva incurável. No Brasil, é a 5ª causa de morte entre todas as idades e a 8ª causa de anos de vida perdidos. Caracterizada por uma inflamação que afeta as vias aéreas, a doença dificulta a respiração e limita muito as atividades rotineiras. Entre os sintomas estão tosse crônica, cansaço, catarro e falta de ar. Em alguns casos, a piora aguda dos sintomas pode desencadear crises, levando a hospitalizações e até ao óbito.
ais de 14 milhões de brasileiros têm DPOC. Essas tecnologias combinam em um único dispositivo três substâncias ativas usadas no tratamento da doença: um corticoide inalatório que reduz a inflamação dos pulmões e dois broncodilatadores que agem no relaxamento dos músculos das vias respiratórias, melhorando a respiração. "Ao combinar três medicamentos em um único dispositivo, as terapias triplas fixas oferecem maior comodidade posológica, o que pode melhorar a adesão ao tratamento e, consequentemente, o controle da doença", afirma o pneumologista Leonardo Meira.
Atualmente, existem dois tipos de terapias triplas fixas no país – os dispositivos em pó e os dispositivos em spray – ambos incluídos no novo protocolo de tratamento do SUS. Minas Gerais já fornece os inaladores em pó por meio de uma diretriz de tratamento estadual, mas ainda não conseguiu viabilizar o acesso ao spray.
Os dispositivos inalatórios apresentam diferentes tecnologias e particularidades, o que torna fundamental que o médico, em conjunto com o paciente, avalie e escolha a opção que melhor se adequa às capacidades e necessidades individuais.3. Nesse contexto, é essencial que o paciente tenha acesso não apenas a medicações em pó, mas também aos dispositivos em spray, permitindo que a prescrição reflita seu perfil clínico e funcional. Isso porque muitos pacientes com doença grave (VEF1 < 50%) apresentam limitação da capacidade inspiratória, o que pode comprometer o uso adequado de dispositivos em pó.
A implementação não beneficia apenas o paciente, mas também a economia do estado. Dados nacionais da Conitec indicam que em todo o país, a substituição das terapias atuais pela tripla fixa em spray pode gerar uma economia de R$ 293 milhões em cinco anos aos cofres públicos, devido à redução drástica de crises agudas (exacerbações). "Quando o paciente de DPOC grave não tem acesso ao tratamento adequado, ele acaba na emergência. Cada crise representa um risco de morte e um alto custo de internação para o SUS em Minas. Ampliar o acesso às terapias triplas é, acima de tudo, uma estratégia de gestão pública”, afirma o pneumologista.
O novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) também traz mudanças que Minas Gerais precisa absorver com rapidez, como a permissão para que médicos da atenção primária prescrevam o tratamento e a flexibilização da obrigatoriedade da espirometria para populações específicas. "Essa descentralização é fundamental para um estado vasto como o nosso. O paciente do interior não pode esperar meses por uma consulta com especialista para começar a respirar melhor", finaliza o médico.
