Um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) revela que a universalização do saneamento básico no país vai muito além de uma questão de infraestrutura: trata-se de um investimento com impactos diretos na saúde, na economia e na qualidade de vida da população.
A pesquisa, intitulada “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro”, mostra que garantir acesso à água tratada e à coleta de esgoto pode gerar ganhos significativos em diversas áreas, como educação, produtividade, valorização imobiliária e turismo.
Brasil ainda está atrás no cenário global
Apesar de ser uma das maiores economias do mundo, o Brasil ocupa apenas a 112ª posição em um ranking internacional de saneamento. O estudo aponta que o avanço no setor tem sido lento na última década, afastando o país da meta de universalização dos serviços até 2030.
Essa deficiência impacta diretamente indicadores sociais. A taxa de mortalidade infantil, por exemplo, ainda é superior à de países latino-americanos com melhor cobertura de saneamento. Além disso, a expectativa de vida no Brasil também fica abaixo da média da região.
Impactos diretos na saúde
A falta de saneamento básico continua sendo uma das principais causas de doenças no país. Em 2013, foram registradas mais de 340 mil internações por infecções gastrointestinais, muitas delas relacionadas à ausência de coleta e tratamento de esgoto.
O estudo estima que, com a universalização dos serviços, esse número poderia cair significativamente, gerando uma economia anual de milhões de reais aos cofres públicos. Também haveria redução no número de mortes associadas a essas doenças.
Perdas econômicas e produtividade
Os efeitos do saneamento precário também atingem o mercado de trabalho. Milhares de trabalhadores se afastam anualmente por problemas de saúde ligados à falta de infraestrutura sanitária, o que resulta em perda de produtividade e prejuízos econômicos.
Segundo o levantamento, cerca de 900 mil dias de trabalho são perdidos por ano nessas condições. Com a universalização, esse número poderia cair em cerca de 23%, reduzindo custos e aumentando a eficiência da força de trabalho.
Além disso, trabalhadores que vivem em áreas sem saneamento chegam a ganhar menos do que aqueles que têm acesso a esses serviços, evidenciando o impacto direto na renda.
Educação também é afetada
O estudo destaca ainda que a falta de saneamento interfere no desempenho escolar. Crianças que vivem em locais sem coleta de esgoto apresentam maior atraso educacional, o que compromete sua formação e, futuramente, sua inserção no mercado de trabalho.
Com a ampliação dos serviços, seria possível reduzir esse atraso e melhorar o nível educacional médio da população, contribuindo para o desenvolvimento do país.
Valorização imobiliária e turismo
Outro ponto relevante é a valorização dos imóveis. Segundo a pesquisa, residências com acesso ao saneamento podem valer, em média, 13,6% a mais do que aquelas sem esse serviço. Esse aumento gera impactos positivos na arrecadação de impostos e no mercado imobiliário.
No setor turístico, os benefícios também são expressivos. A melhoria das condições sanitárias poderia ampliar o fluxo de visitantes internacionais e gerar cerca de 500 mil novos empregos, além de bilhões em renda e crescimento do PIB.
Investimento com retorno garantido
Embora o custo estimado para universalizar o saneamento no Brasil seja elevado, o estudo indica que os benefícios econômicos e sociais compensariam o investimento ao longo do tempo.
Para especialistas, a conclusão é clara: ampliar o acesso ao saneamento básico não é apenas uma questão de dignidade, mas uma estratégia essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
