Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
Dia Internacional para eliminação da discriminação racial
Porque a discriminação racial ainda não ficou no passado
Publicado em 21/03/2026 11:00
Notícias Gerais

"Desde quando preto é igual branco? Eu quero um copo branco"! Ao presenciar o dono de um restaurante no Sul de Minas, dizendo essa frase a uma funcionária negra, a cliente não teve dúvida em encaminhar a denúncia ao MPT: "a forma como ele falou deixou claro que não era apenas exigência de trabalho: foi uma atitude racista, discriminatória e cruel, principalmente pelo fato de a trabalhadora ser negra. Fiquei com o coração apertado, porque ela não podia responder, apenas abaixou a cabeça.
 

Essa denúncia e diversas outras que chegam ao MPT convergem para os dados apurados na pesquisa "Mais dados, mais saúde", feita pelo Observatório da Saúde, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, em 2025. Dentre as situações descritas pelos respondentes estão: recebo um atendimento pior que outras pessoas em restaurantes e lojas; sou ameaçado ou assediado; sou seguido em lojas.
 

A pesquisa inédita, de âmbito nacional, ouviu mais de 2.400 pessoas para mapear com que frequência os brasileiros se sentem discriminados em atividades do dia a dia e quais são as razões atribuídas a essas situações de discriminação. Os resultados apontam dentre outros dados, que "raça é o principal fator de discriminação no país".
 

Essa história é uma dentre as mais de 200 investigações abertas no MPT em Minas Gerais, nos últimos quatro anos, para investigar atitudes de discriminação por raça, cor, origem ou etnia, relata o procurador-chefe do MPT em Minas Gerais, Max Emiliano Sena. “É importante destacar que o número de denúncias que chega ao MPT não reflete a realidade, seja porque, em muitos casos, a vítima sequer compreende que está sendo vítima de discriminação racial, seja porque tem medo de denunciar.”
 

Para além das atitudes explicitas de discriminação, a vice-coordenadora nacional da Coordigualdade, procuradora do Trabalho Luciana Coutinho, destaca situações no ambiente de trabalho, que parecem naturalizadas e chamam menos atenção, mas que configuram discriminação e precisam ser combatidas: "as pessoas negras estão trabalhando em postos às vezes mais precarizados, pior remunerados, na informalidade. Quando dentro de empregos formais, de empregos constituídos, com carteira de trabalho assinada, a gente tem situações em que não há pessoas negras em postos de mando e gestão".
 

Mais de 110 bilhões de pessoas se auto-declararam pretas ou pardas, no Censo 2022 (IBGE), representando juntas 55% da população brasileira. "Não é natural, não é normal que um país com a maioria de pessoas negras, a gente não ter proporcionalmente essas pessoas negras em postos de prestígio, em postos de poder, em postos de mando e gestão. Então nós precisamos combater essas práticas", enfatiza Luciana Coutinho.
 

O Dia 21 de março foi instituído pela ONU em 1960
O 21 de março marca o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela Organização das Nações Unidas, em 1966, em memória do Massacre de Sharpeville, ocorrido na África do Sul.
 

Em 2026, a data também destaca os 61 anos da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, adotada pela ONU em 1965, um dos principais marcos globais na promoção da igualdade racial e no enfrentamento ao racismo em todo o mundo.

 

 

Comentários