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Especialista alerta para o agravamento da crise de direitos humanos no Irã
Publicado em 16/03/2026 12:30
Notícias Gerais

Com a escalada das tensões militares no Oriente Médio, as autoridades iranianas devem cessar imediatamente o uso excessivo da força contra civis, libertar todos os detidos por exercerem suas liberdades fundamentais, restabelecer o acesso irrestrito à internet e permitir que a sociedade civil realize seu trabalho vital em prol dos direitos humanos.

A declaração é da relatora especial* sobre a Situação dos Direitos Humanos na República Islâmica do Irã, Mai Sato.

Em comunicado, divulgado nesta segunda-feira em Genebra, ela afirmou que é preciso priorizar o povo do Irã em qualquer solução e para isso é necessário que todas as partes acabem com a escalada militar e retomem o diálogo político imediatamente.

Mai Sato afirma que “a comunidade internacional deve garantir que a  prestação de contas e a proteção do povo iraniano permaneçam como prioridades máximas.”

O relatório apresentado ao Conselho examina o impacto sobre os direitos humanos dos protestos em todo o país, iniciados em 28 de dezembro de 2025.

Segundo Sato, o volume de contribuições recebidas superou em muito todos os períodos anteriores desde que ela assumiu seu mandato, em agosto de 2024.

A relatora contou que “muitas denúncias vieram de pessoas sem histórico de ativismo, que compartilharam suas experiências correndo consideráveis ​​riscos pessoais. Os protestos atingiram todos os cantos do país, representando um amplo espectro da sociedade iraniana unida pelo desejo de um futuro diferente.”

Muitos manifestantes incluindo crianças foram baleados à queima-roupa ou brutalmente espancados pelas forças de segurança iranianas. Dezenas de milhares de manifestantes, assim como profissionais da saúde e advogados, teriam sido detidos arbitrariamente, mantidos incomunicáveis, privados de assistência jurídica e submetidos a confissões forçadas transmitidas pela televisão estatal. Alguns detidos, incluindo crianças, agora enfrentam a pena de morte.

Segundo Sato, as forças de segurança também teriam invadido hospitais, prendido manifestantes feridos e agredido profissionais da saúde. Familiares dos mortos ou detidos descreveram pressão para permanecerem em silêncio e interferência em memoriais.

Para a relatora da ONU, as violações apontam para padrões sistêmicos, e não para incidentes isolados, incluindo a falha em investigar alegações de uso excessivo da força e a crescente securitização das respostas aos protestos civis. Top of Form

O aumento acentuado das execuções em 2025 por crimes relacionados a drogas, homicídio e contra a segurança continuou em 2026 durante os protestos em todo o país.

 

Após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e os contra-ataques do Irã a Israel e países do Golfo Pérsico, que começaram em 28 de fevereiro, o Irã tem de  600 mil e um milhão de famílias iranianas, até 3,2 milhões de pessoas, temporariamente deslocadas dentro do país. Os dados são da Agência de Refugiados da ONU, Acnur, que indica que muitos iranianos estão fugindo de Teerã e de outras grandes cidades.

Pessoas em Shiraz, Irã. Especialistas independentes em direitos humanos da ONU pediram a libertação dos manifestantes detidos arbitrariamente.

A escalada militar também aumentou as preocupações com as condições nas prisões iranianas. Os detidos, incluindo dezenas de milhares que teriam sido presos em conexão com os protestos, estão cada vez mais isolados do mundo exterior.

A relatora especial Mai Sato não obteve autorização para visitar o Irã. Segundo ela, a visita torna-se necessária agora mais do que nunca.

*Os relatores especiais são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.

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