O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, divulgou uma nota técnica avaliando os impactos econômicos de uma possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O levantamento indica que os efeitos sobre os custos empresariais seriam semelhantes aos observados em reajustes históricos do salário mínimo no Brasil.
De acordo com os pesquisadores, em setores com grande volume de empregos, como indústria e comércio, que juntos reúnem mais de 13 milhões de trabalhadores, o impacto direto da mudança seria inferior a 1% do custo operacional total. Esse percentual sugere que parte relevante do mercado teria condições de absorver a alteração sem efeitos imediatos significativos sobre produção e postos de trabalho.
O estudo considera que a diminuição da carga horária, com manutenção da remuneração nominal, eleva o valor da hora trabalhada. Ainda assim, quando esse aumento é analisado dentro da estrutura geral de custos das empresas, o reflexo tende a ser moderado em segmentos como varejo e manufatura.
Há, porém, áreas mais sensíveis. Atividades intensivas em mão de obra, como vigilância e limpeza, podem registrar elevação mais perceptível nas despesas operacionais, estimada em torno de 6,5%, justamente porque a folha salarial representa parcela expressiva do custo total.
A análise também relembra que aumentos anteriores no custo do trabalho, especialmente aqueles ligados à política de valorização do salário mínimo, não resultaram automaticamente em redução do nível de emprego formal. Esse histórico reforça a avaliação de que o mercado pode assimilar mudanças na jornada sem impactos generalizados negativos.
O debate sobre a redução da carga semanal ocorre em meio a discussões mais amplas sobre qualidade de vida, produtividade e modernização das relações trabalhistas. Especialistas apontam que eventuais ajustes poderão exigir medidas complementares, sobretudo para pequenas empresas e setores com menor margem de adaptação.

