Maria Lúcia Amaral demitiu-se na terça-feira do cargo de ministra da Administração Interna, depois de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país há quinze dias. O pedido de demissão foi aceite, no mesmo dia, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Entretanto, os partidos políticos com assento parlamentar - que há já alguns dias pediam a saída da ministra - não tardaram a reagir ao sucedido. Mas afinal, o que foi dito?

A demissão da ministra da Administração Interna foi tornada pública após ter sido partilhada no site da Presidência da República. O comunicado explicava que Maria Lúcia Amaral
"entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo" e que a proposta de demissão terá sido feita por
Luís Montenegro, "que assumirá transitoriamente as respetivas competências".
De salientar que esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, em 5 de junho de 2025.
"Problema de acerto" e a "única saída"
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, foi o primeiro a reagir à demissão de Maria Lúcia Amaral. No entender do socialista, "há um problema de acerto do Governo na resposta às crises, de que esta é apenas a expressão mais recente".
"A demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o Governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade", disse o socialista, referindo-se, em concreto, ao mau tempo que tem vindo a assolar Portugal e que provocou pelo menos 15 vítimas mortais.
José Luís Carneiro reagiu à demissão da ministra da Administração Interna dizendo que "há um problema de acerto do Governo nas respostas às crises". Apontou ainda que a demissão de Maria Lúcia Amaral "é a prova de que o Governo falhou na resposta" às consequências do mau tempo que assolou Portugal.
Maria Gouveia | 21:42 - 10/02/2026
Já o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considerou que a demissão da ministra da Administração Interna era "a única saída" possível para o Governo. Numa nota partilhada pela conta do Bloco de Esquerda na rede social X, José Manuel Pureza explicou que "entre a falta de prevenção e o erro na resposta, o Governo falhou no seu dever mais básico: proteger o nosso povo".
Por seu turno, a presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, enfatizou que "o Governo deve enfrentar esta pasta com competência, resposta pronta e capacidade de comunicação em situação de crise".
"Há cinco dias. Foram cinco dias que se perderam. O Governo deve enfrentar esta pasta com competência, resposta pronta e capacidade de comunicação em situação de crise. As populações estão desesperadas. São necessárias soluções já", escreveu Mariana Leitão na rede social X.
Também o líder do Chega, André Ventura, não poupou críticas ao Executivo de Luís Montenegro. Ventura afirmou que esta demissão "é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades".
E acrescentou: "É um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da Saúde à Administração Interna, vai perdendo o controlo do Governo."
André Ventura considerou que a demissão da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, é um "falhanço evidente" do Governo de Luís Montenegro e da sua "incapacidade" de gerir adversidades no país. A demissão da ministra foi comunicada ao país esta terça-feira.
Carolina Pereira Soares | 22:58 - 10/02/2026
E o que disse o Presidente da República?
Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, afirmou que foi a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que transmitiu a vontade de se demitir ao primeiro-ministro e que Luís Montenegro fez depois chegar essa vontade a Marcelo Rebelo de Sousa.
"[A ministra] transmitiu essa vontade ao sr. primeiro-ministro, o sr. primeiro-ministro transmitiu ao Presidente da República e eu aceitei esse pedido de demissão", disse.
O Chefe de Estado admitiu ainda que a situação é "complexa", tendo em conta o estado do país após as tempestades, mas que "perante isto há que respeitar a vontade sra. ministra". "E o sr. primeiro-ministro compreendeu isso, transmitiu, eu compreendi, aceitei e agora, amanhã veremos", concluiu.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não comentou se a demissão da ministra da Administração Interna tinha sido tardia, afirmando que não se vai "substituir" ao juízo de Maria Lúcia Amaral. O Presidente adiantou também que terá sido a ministra a avançar que queria abandonar o cargo.
Carolina Pereira Soares com Lusa | 23:25 - 10/02/2026
Já o ex-candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considerou que a demissão da ministra da Administração Interna foi uma boa decisão e que Maria Lúcia Amaral "fez bem, porque protege o Governo". "Dá hipótese ao Governo de se reformular numa área que é essencial, principalmente fruto dos acontecimentos mais recentes", referiu.