O Carnaval está prestes a tomar conta das ruas, dos blocos e do comércio em todo o país. A expectativa é gigante: cerca de 41,4 milhões de brasileiros devem abrir a carteira para comprar produtos ou contratar serviços durante a folia. É dinheiro circulando, bares lotados, salões cheios e aplicativos de transporte trabalhando sem parar.
Mas, junto com o brilho do glitter e o som dos trios elétricos, vem uma preocupação que pesa no bolso — e na cabeça.
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a OfferWise, mostra que o medo da violência está influenciando diretamente o comportamento do consumidor neste ano. Entre quem pretende gastar, impressionantes 79% dizem ter receio de sofrer algum tipo de violência ou golpe durante o Carnaval.
O que o brasileiro vai comprar?
Mesmo com o alerta ligado, o consumo vai acontecer. Dos entrevistados que pretendem curtir a festa:
No topo da lista de compras aparecem:
-
Água, sucos, energéticos e chás (55%)
-
Cerveja e chopp (50%)
-
Comidas e lanches fora de casa (48%)
-
Refrigerantes (44%)
-
Itens para churrasco (43%)
Já entre os serviços mais procurados estão:
-
Bares e restaurantes (45%)
-
Transporte por aplicativo ou particular (39%)
-
Serviços de beleza como manicure, cabelo, depilação e bronzeamento (26%)
Ou seja: o brasileiro quer aproveitar — e muito.
Medo nas ruas
O levantamento mostra que os principais fantasmas do Carnaval 2026 são:
A combinação de multidão, distração e consumo facilita a ação de criminosos, e isso já está no radar de quem vai sair para curtir.
O presidente da CNDL, José César da Costa, reforça que alguns cuidados simples podem evitar dor de cabeça depois da festa:
evitar andar com vários cartões, conferir o valor na maquininha antes de pagar, ativar alertas do banco para transações suspeitas, limitar o Pix diário e até desativar pagamento por aproximação em valores altos.
Em resumo: dá para cair na folia, mas com o olho aberto.
Quanto o brasileiro pretende gastar?
Apesar do receio, o dinheiro vai circular. A previsão é que 25% dos consumidores das capitais façam compras para o Carnaval, com um gasto médio de R$ 1.096.
É uma injeção importante para o comércio e para o setor de serviços, especialmente bares, restaurantes e profissionais autônomos.
O perigo da “ressaca financeira”
Mas nem tudo é confete. A pesquisa também acende um alerta preocupante:
-
32% dos foliões que vão gastar já têm contas em atraso
-
Desses, 67% estão com o nome negativado
-
E quase metade (49%) admite que pode extrapolar o orçamento durante a festa
Ou seja, tem muita gente disposta a gastar mesmo já estando no vermelho.
Segundo José César da Costa, é preciso colocar os pés no chão:
a prioridade deveria ser organizar as dívidas antes de assumir novos compromissos. Caso contrário, a alegria de alguns dias pode virar uma ressaca financeira que dura o ano inteiro.
No fim das contas, o Carnaval 2026 promete ser de forte movimentação econômica — mas também de cautela. Entre a vontade de aproveitar e o medo de prejuízo, o brasileiro vai ter que equilibrar animação e responsabilidade para que a festa termine só com lembranças boas.
