Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
Carnaval promete rios de dinheiro nas ruas, mas medo de assalto e “ressaca financeira” assombra foliões
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 10/02/2026 14:15
Notícias Gerais

O Carnaval está prestes a tomar conta das ruas, dos blocos e do comércio em todo o país. A expectativa é gigante: cerca de 41,4 milhões de brasileiros devem abrir a carteira para comprar produtos ou contratar serviços durante a folia. É dinheiro circulando, bares lotados, salões cheios e aplicativos de transporte trabalhando sem parar.

Mas, junto com o brilho do glitter e o som dos trios elétricos, vem uma preocupação que pesa no bolso — e na cabeça.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a OfferWise, mostra que o medo da violência está influenciando diretamente o comportamento do consumidor neste ano. Entre quem pretende gastar, impressionantes 79% dizem ter receio de sofrer algum tipo de violência ou golpe durante o Carnaval.

O que o brasileiro vai comprar?

Mesmo com o alerta ligado, o consumo vai acontecer. Dos entrevistados que pretendem curtir a festa:

  • 95% planejam comprar produtos

  • 88% pretendem contratar serviços específicos para o período

No topo da lista de compras aparecem:

  • Água, sucos, energéticos e chás (55%)

  • Cerveja e chopp (50%)

  • Comidas e lanches fora de casa (48%)

  • Refrigerantes (44%)

  • Itens para churrasco (43%)

Já entre os serviços mais procurados estão:

  • Bares e restaurantes (45%)

  • Transporte por aplicativo ou particular (39%)

  • Serviços de beleza como manicure, cabelo, depilação e bronzeamento (26%)

Ou seja: o brasileiro quer aproveitar — e muito.

Medo nas ruas

O levantamento mostra que os principais fantasmas do Carnaval 2026 são:

  • Roubos e furtos (63%)

  • Violência física (35%)

  • Golpes com compras indevidas (29%)

  • Uso indevido de documentos (22%)

A combinação de multidão, distração e consumo facilita a ação de criminosos, e isso já está no radar de quem vai sair para curtir.

O presidente da CNDL, José César da Costa, reforça que alguns cuidados simples podem evitar dor de cabeça depois da festa:
evitar andar com vários cartões, conferir o valor na maquininha antes de pagar, ativar alertas do banco para transações suspeitas, limitar o Pix diário e até desativar pagamento por aproximação em valores altos.

Em resumo: dá para cair na folia, mas com o olho aberto.

Quanto o brasileiro pretende gastar?

Apesar do receio, o dinheiro vai circular. A previsão é que 25% dos consumidores das capitais façam compras para o Carnaval, com um gasto médio de R$ 1.096.

É uma injeção importante para o comércio e para o setor de serviços, especialmente bares, restaurantes e profissionais autônomos.

O perigo da “ressaca financeira”

Mas nem tudo é confete. A pesquisa também acende um alerta preocupante:

  • 32% dos foliões que vão gastar já têm contas em atraso

  • Desses, 67% estão com o nome negativado

  • E quase metade (49%) admite que pode extrapolar o orçamento durante a festa

Ou seja, tem muita gente disposta a gastar mesmo já estando no vermelho.

Segundo José César da Costa, é preciso colocar os pés no chão:
a prioridade deveria ser organizar as dívidas antes de assumir novos compromissos. Caso contrário, a alegria de alguns dias pode virar uma ressaca financeira que dura o ano inteiro.

 

No fim das contas, o Carnaval 2026 promete ser de forte movimentação econômica — mas também de cautela. Entre a vontade de aproveitar e o medo de prejuízo, o brasileiro vai ter que equilibrar animação e responsabilidade para que a festa termine só com lembranças boas.

Comentários